Em discurso em Catalão (GO), Lula disse que Rubio “é anti-América Latina, inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos” ao citar a ausência do secretário na reunião que teve com Trump em maio.
O presidente disse ainda que já expressou sua insatisfação com Rubio diretamente ao seu homólogo americano. “Eu já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil.”
As críticas de Lula a Rubio foram feitas em um discurso no qual o presidente lamentou a decisão do governo Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil.
Também nesta terça-feira, o secretário de Estado disse que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério Ocidental e destacou que o país está “no meio de um ciclo eleitoral”.
“Com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia -ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático-, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos EUA, de líderes amistosos aos EUA e de uma direção favorável aos interesses americanos”, disse Rubio.
Lula, por sua vez, destacou as negociações que o Executivo têm mantido com o governo Trump desde o ano passado e o fato de que a proposta de um novo tarifaço acontece dias depois do senador Flávio Bolsonaro (PL) ter se reunido com Rubio.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, afirmou Lula.
Na sequência, referiu-se aos filhos do ex-presidente como “os meninos do Bolsonaro” e os chamou de “família metralha”, acusando-os de atuar contra os interesses nacionais. Disse ainda que Flávio “foi pedir arrego” a Trump em uma tentativa de prejudicá-lo para as eleições.
“Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, afirmou o presidente.
Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu “expressamente” que Trump não aplicasse uma tarifa sobre as empresas brasileiras.
A proposta de um novo tarifaço acontece após o governo americano concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que apontou práticas comerciais injustas do Brasil.
Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe a Trump.
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