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Huawei desafia big techs com estrelas chinesas da IA e preço baixo

Radar Big Tech – No campo do hardware, a Huawei disputa mercado diretamente com as GPUs da Nvidia através da sua linha de chips Ascend. Como convencer o mercado brasileiro a trocar o padrão da indústria pelo componente chinês?
Mark Chen –
Nossa abordagem de convencimento não foca na venda isolada do hardware, mas na entrega do resultado final. O consumo por meio de pacotes de tokens não exige que a empresa faça um investimento bilionário em capital para montar um data center próprio. O cliente pode iniciar um projeto focado em produtividade gastando a partir de US$ 100 ou US$ 500 mensais. Se o caso de uso se provar eficiente, ele dá o próximo passo para uma estrutura de Plataforma como Serviço (PaaS).

Não estamos vendendo uma máquina que o cliente não saberá como operar ou como transformar em produtividade real; estamos vendendo a capacidade de processamento pronta
Mark Chen, presidente da Huawei Cloud para América Latina

Radar Big Tech – A latência e a soberania dos dados são preocupações críticas para setores regulados no Brasil. Onde os dados trafegados pela Huawei são armazenados?
Mark Chen –
Já temos capacidade de processamento de IA em data centers localizados no próprio território brasileiro, desenhada para a parcela de clientes que exige latência ultrabaixa ou que, por questões regulatórias, precisa manter seus dados hospedados no Brasil. Contudo, cerca de 80% do volume do nosso serviço de tokens hoje é voltado para criação de códigos, uma aplicação em que há tolerância para esperar um ou dois minutos pelo retorno do comando, além de não envolver dados sensíveis de cidadãos.

Por outro lado, em setores como o financeiro, há regras nacionais rígidas, por causa da LGPD no Brasil. A inteligência artificial traz uma produtividade fantástica, mas a segurança é inegociável; se a IA vazar dados corporativos, para fora ou para dentro da organização, temos um incidente grave. Por isso, atuamos junto aos clientes para estruturar suas fundações de IA, mapeando os níveis de sensibilidade de cada caso de uso.

Radar Big Tech – Brasil e China estão tão distantes em termos de maturidade e desenvolvimento de nuvem e inteligência artificial?
Mark Chen – Há uma percepção de que a distância geográfica se reflete na tecnologia, mas a realidade do ambiente corporativo é diferente. A China exibe uma força indiscutível na fabricação de infraestrutura, supercomputadores e no desenvolvimento dos modelos de base. Contudo, quando avaliamos a adoção da IA pelas empresas no dia a dia, as duas nações estão muito próximas.

Vemos frequentemente executivos de bancos brasileiros viajando à China para inspecionar como o setor financeiro de lá aplica IA, retornando ao Brasil e implementando os mesmos casos de uso imediatamente. O mesmo vale para a automação em call centers e assistentes de programação. A China está ligeiramente à frente em alguns aspectos, como o regulatório e o de escala, mas o ecossistema brasileiro se move na mesma velocidade.



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