Nessa linha, chamou a atenção o anúncio da X8 Cloud. A norte-americana prometeu investir R$ 250 bilhões (US$ 50 bilhões) em data centers ao longo de 30 anos. A meta é atingir 5 GW de capacidade voltada a IA, em uma estratégia sustentada pela energia limpa das hidrelétricas de Itaipu e de Yacyretá.
Talvez a impressão seja reforçada pela onda de brasileiro mudando para o país vizinho em busca do “sonho conservador”. Mas, fora movimentos pontuais, o Paraguai pode roubar investimentos do Brasil?
Eu não acho factível. Primeiro, porque o problema lá é a quantidade de energia disponível, só de 1,2 GW. Aqui há dezenas de Gigawatts. Lá não tem cabo submarino chegando, não tem mercado doméstico, vai exportar todos os dados. Não, eu não vejo o Paraguai no mesmo patamar. Pode até ter projeto anunciado, mas falta contrato
Chris Torto, CEO da Ascenty
Pesam a favor do Brasil não só a abundância de energia limpa, mas também o custo de geração, bem menor em comparação aos Estados Unidos. O problema é a distribuição. Tanto é que, para seu novo data center em Sumaré, a Ascenty gastou R$ 250 milhões (US$ 50 milhões) em uma linha de distribuição de 32 km para levar eletricidade da CPFL, em Santa Bárbara do Oeste ao equipamento.
Sim, os EUA possuem volume de data centers imensamente maior que o Brasil, mas contratar capacidade computacional por aqui atinge em cheio a latência, algo cada vez mais fundamental para aplicações digitais e de IA. Caso os dados acessados por um brasileiro estejam em São Paulo, o tempo de resposta é de 2 milissegundos, mas, se estiverem em solo americano, chega a 150 milissegundos, diz Marcos Siqueira, diretor da Ascenty. É menos do que o piscar de olhos, mas faz uma diferença tremenda para serviços sensíveis a precisão e agilidade, como cirurgias remotas, atividades robóticas complexas e transações financeiras de alto risco.
Fora isso, o Brasil possui os três maiores pontos de ancoragem de cabos submarinos da América Latina: Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP). Como 90% da internet mundial depende desses fios que cruzam os oceanos, fica difícil elaborar projetos em larga escala que fiquem distantes dessas infraestruturas. Às vezes, nem a proximidade ajuda. A Ascenty avaliou instalar data centers no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Mesmo sendo um dos maiores complexos portuários da América Latina, descartou a ideia porque não havia conectividade suficiente chegando por lá.












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