A própria retórica do mundo da inteligência artificial gera efeitos do tipo. Não é raro ouvir os líderes da área falando sobre as “revoluções” que a IA irá causar no mundo – com consequente perda (ou migração) de empregos. Em um mundo já fragmentado e cada vez mais radicalizado, isso vira gasolina no fogo.
Comparar a revolução da inteligência artificial com a revolução industrial ou dizer que uma IA poderá fazer um trabalho completo de um desenvolvedor de software daqui a seis meses podem ser realidades, mas não ajudam. E o domínio da IA versus a falta de conhecimento do assunto tendem a virar uma nova luta de classes nos próximos anos – com a geração Z principalmente em foco.
A própria OpenAI publicou neste mês um documento propondo um novo “contrato social” para lidar com a chegada da superinteligência, incluindo taxação de lucros gerados por IA, criação de um fundo soberano para distribuir renda à população, semana de trabalho de 4 dias e acesso universal à IA. A iniciativa pressiona o governo dos EUA a agir diante de mudanças que já estariam em curso – e aumenta a ansiedade do que está por vir.
O que o mundo está dizendo sobre isso
O medo, ao que parece, também é um marketing bem eficaz – é difícil pensar em outro produto de consumo cujos criadores tenham avisado com tanta frequência que ele pode destruir a civilização. Parte disso é um problema de comunicação – e que muitas vezes é alimentado pelos próprios laboratórios de IA.
Fortune
Acho que os ataques ao Altman são, na verdade, um sinal de algo maior e mais bagunçado do que uma reação contra um setor. O que estamos vendo é um conflito de classe totalmente previsível e uma reconfiguração do nosso espectro político.
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