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Israel e Líbano estendem cessar-fogo por mais 45 dias

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Israel e Líbano concordaram em estender por mais 45 dias o cessar-fogo anunciado pelo presidente Donald Trump em 16 de abril. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (15) primeiro pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que atuam como mediador, apesar da continuidade de bombardeios que evidenciam a fragilidade da trégua.

Segundo o porta-voz da pasta, Tommy Piggott, a prorrogação do acordo busca abrir espaço para mais avanços nas negociações. Pouco antes, o Departamento de Estado americano havia descrito como “altamente produtivas” as conversas feitas por representantes israelenses e libaneses em Washington na quinta (14) e nesta sexta-feira (15). Um novo ciclo de diálogos está previsto para os dias 2 e 3 de junho.

As reuniões desta semana marcaram o terceiro encontro de autoridades dos dois lados desde que Israel intensificou as ofensivas contra o Líbano. As ações foram respostas aos ataques do Hezbollah contra o território israelense em 2 de março, três dias após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Os diálogos expuseram divisões políticas no Líbano. O presidente do país, Joseph Aoun, determinou que seus representantes continuassem as conversas nos EUA a despeito da oposição do Hezbollah, favorável à continuidade do conflito. E o premiê Nawaf Salam disse, após a extensão do cessar-fogo, acreditar que só o Exército libanês deve possuir armas, numa crítica indireta ao grupo extremista apoiado pelo Irã.

Embora Trump tenha anunciado o cessar-fogo em abril, o conflito entre Israel e Hezbollah continuou, ainda que com intensidade reduzida. Os confrontos têm se concentrado principalmente no sul do Líbano.

Tel Aviv justifica as ofensivas apontando supostas violação por parte do Hezbollah, em acusação que tem sido frequente de ambos os lados ao longo do conflito. Pelos termos do acordo, Israel mantém o direito de agir contra ataques considerados “planejados, iminentes ou em andamento”.

Poucas horas após o anúncio da trégua, um ataque atingiu um prédio na cidade de Tiro, no sul libanês. Um correspondente da agência de notícias AFP testemunhou o impacto depois que autoridades israelenses emitiram um alerta para que a estrutura fosse esvaziada.

E segundo a agência estatal de notícias do Líbano, pelo menos seis pessoas foram mortas, incluindo três paramédicos, e outras 22 ficaram feridas em um ataque israelense contra um centro de defesa civil, também no sul libanês.

Bombardeios foram registrados também momentos antes do novo acordo. O Exército de Israel comunicou ter atacado alvos do Hezbollah na mesma região. Tel Aviv anunciou ainda a morte de um soldado. Segundo os militares, o sargento Negev Dagan morreu em combate. Com isso, chega a 20 o número de israelenses mortos em território libanês desde março.

Em paralelo, o Hezbollah afirmou ter lançado drones, também nesta sexta, contra o quartel de Liman, ao norte da cidade israelense de Nahariya. Militares israelenses disseram que vários dos equipamentos caíram em áreas do norte de Israel, sem registro de feridos.

Do lado libanês, o Ministério da Saúde afirma que os bombardeios israelenses já deixaram mais de 2.800 mortos desde o início da guerra, entre eles ao menos 200 crianças. Considerando o período após o início da trégua, em abril, os ataques de Israel no Líbano mataram 380 pessoas, segundo dados divulgados na terça-feira (12) pelo Ministério da Saúde de Beirute à AFP.

Apesar da violência, as delegações libanesa e israelense escreveram em comunicados que a rodada de encontros na capital americana foi positiva. A mediação conduzida pelos EUA ocorre em paralelo a esforços diplomáticos ligados ao conflito entre Washington e Teerã. O Irã afirma que o fim da guerra de Israel no Líbano é uma de suas exigências em eventuais negociações mais amplas.

A delegação libanesa afirma priorizar o fim das hostilidades e tenta transformar o cessar-fogo em um acordo de paz permanente. Já Israel diz que o Hezbollah deve ser desarmado como condição para qualquer entendimento duradouro.

As reuniões em Washington representam o mais alto nível de contato entre Líbano e Israel em décadas e passaram a incluir também autoridades militares e de segurança. Segundo Pigott, um novo “eixo de segurança” das negociações será lançado no Pentágono em 29 de maio.

“Esperamos que as discussões avancem rumo a uma paz duradoura entre os países, com reconhecimento pleno da soberania e da integridade territorial de ambos, além do estabelecimento de segurança real ao longo da fronteira comum”, disse Pigott, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

Já a ONU afirmou nesta sexta que as negociações representam uma “oportunidade única” para encerrar o conflito e “interromper a violência”. Imran Riza, coordenador humanitário das Nações Unidas para o Líbano, disse esperar que as conversas em andamento “abram caminho para uma solução política”.

Riza, entretanto, também criticou a continuidade dos ataques. “Bombardeios aéreos e demolições continuam diariamente, com um impacto inaceitável sobre civis e infraestrutura civil”, afirmou.

Pelo menos dois brasileiros foram mortos em território libanês. As vítimas, mãe e filho, foram atingidos num ataque atribuído a Israel e ocorrido em 26 de abril. O pai da família é libanês e também foi morto. Outro filho do casal, brasileiro, foi hospitalizado, segundo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além das mortes, ao menos 1 milhão de pessoas tiveram de ser deslocadas devido às ofensivas, que configuram uma catástrofe humanitária, de acordo com as Nações Unidas.

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