Já o R1, modelo fundacional por trás do DeepSeek, passou o GPT em downloads em momentos de 2025. E o Qwen, da Alibaba, superou o Llama, da Meta, em benchmarks que medem o nível de proficiência da IA em áreas de conhecimento.
Na leitura de Cortiz, a corrida não é só técnica: é sobre “dominação pela tecnologia”. Governos buscam soberania e autonomia, o que pode levar ao abandono de soluções proprietárias e uma adoção de alternativas abertas -na prática, significa deixar de comprar tecnologia dos EUA.
Se eu adoto tecnologia de código aberto, isso quer dizer que eu não estou adotando a tecnologia dos Estados Unidos. Estou adotando uma tecnologia chinesa. Isso é estratégico e tem um impacto econômico e geopolítico gigante para os Estados Unidos. A China deixou de ser a fábrica do mundo para ser esse grande restaurante de modelos de inteligência artificial em que você pode ir lá, se servir, pegar e implementar no seu próprio ambiente.
Diogo Cortiz
Helton lembra que empresas americanas de IA já levaram esse argumento para a política: durante uma consulta pública da Casa Branca, OpenAI e Anthropic sugeriram que o avanço chinês em IA aberta seria uma ameaça à segurança nacional dos EUA.
Para Cortiz, a IA chinesa coloca em risco um dos mais importantes “choke points” (pontos de estrangulamento) criados pelos EUA: essas estruturas dão a um país capacidade de pressionar outros, podendo ser rotas de transporte ou sistemas financeiros. Na visão dele, big techs viraram um desses pontos.
Os Estados Unidos, ao longo do tempo, construíram diferentes ‘choke points’, desde o dólar até o sistema internacional bancário. A tecnologia e as big techs se tornaram um ‘choke point’ muito importante. Agora, a China, entrando nesse segmento, começa a criar alternativas. Se eu coloco uma sanção num país que não pode usar uma inteligência artificial para se desenvolver, eu tenho uma alternativa.
Diogo Cortiz












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