SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O acordo para o fim de uma guerra entre Irã e Estados Unidos segue incerto um dia após Donald Trump ter anunciado que os países haviam, enfim, chegado a um acordo para finalizar o conflito iniciado há três meses.
A agência de notícias estatal iraniana Irna afirmou nesta sexta-feira (12) que, ao contrário do que disse o presidente americano na véspera, ainda não há um acordo entre as duas partes sobre o programa nuclear iraniano.
Nesta quinta (11), Trump afirmou que o documento supostamente aprovado por ambas as partes é um “ótimo acordo”, pois definia que o país persa “jamais terá uma arma nuclear”.
Ainda segundo a Irna, não há um acordo sobre o programa nuclear no atual documento, e as conversas sobre o tema só serão realizadas em um prazo de até 60 dias após a assinatura.
A interrupção do programa nuclear iraniano sempre foi um dos principais impasses entre os dois países, e o regime persa vinha demonstrando resistência em relação ao tema. A falta de um entendimento sobre o assunto também eleva dúvidas sobre a eficácia do suposto atual acordo.
Uma pessoa a par das negociações do lado ocidental afirmou à agência Reuters que o acordo para interromper a guerra no Golfo poderá ser assinado já no próximo domingo (14).
Genebra, na Suíça, seria o local mais provável para o encontro. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, e o presidente do Parlamento do Irã, Mohammed Baqer Qalibaf, participariam da cerimônia.
Ainda de acordo com o funcionário, o texto do documento ainda estava sendo finalizado e o Irã mantinha sua posição de que o acordo também deveria encerrar os ataques israelenses no Líbano.
Os esforços estavam sendo voltados para que a redação fosse finalizada até sábado (13).
Trump afirmou nesta quinta que estava cancelando novos ataques ao Irã porque o acordo já estava pronto.
No entanto, os termos do documento descritos por autoridades iranianas nesta sexta parecem oferecer a Teerã grande parte do que vinha exigindo, enquanto Trump aparenta obter pouco do que buscava, além da reabertura do estreito de Hormuz.
A via marítima está praticamente bloqueada por Teerã desde o início do conflito.
Um funcionário de alto escalão do regime iraniano disse à Reuters nesta sexta que o rascunho do acordo prevê a suspensão das sanções ao petróleo iraniano, o desbloqueio de bilhões de dólares em fundos do país e a exigência de cessação dos ataques em todas as frentes, incluindo no Líbano.
As questões nucleares seriam deixadas para negociações futuras. Washington quer um acordo que garanta que o Irã nunca desenvolva uma arma nuclear.
A agência iraniana Mehr informou que os termos também incluem outras concessões importantes dos EUA, como o compromisso de retirar suas forças das proximidades do Irã e apresentar um plano para reconstruir a economia iraniana, devastada pelo conflito.
“Os Estados Unidos e seus aliados devem apresentar planos para a reconstrução do Irã no valor de pelo menos US$ 300 bilhões”, afirmou a Mehr.
O conflito tornou-se um problema político para a Casa Branca, com pesquisas mostrando queda na aprovação de Trump em meio à insatisfação dos eleitores com os altos preços da gasolina.
Alguns republicanos demonstraram preocupação de que a impopularidade da guerra possa lhes custar o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato em novembro.
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