Mundo

Falso comandante fez mais de 900 voos ao longo de 15 anos

Um ex-piloto da Air Canada, a principal companhia aérea do Canadá, foi acusado de vários crimes, incluindo fraude e falsificação de documentos, após ter usado uma licença falsa durante vários anos.

Segundo a rede televisiva canadense CP24, o homem, identificado como Geoffrey Wall, 59 anos, começou a trabalhar na Air Canada como copiloto, em 1998, e foi promovido a comandante em 2009. 

Desde então e até início de 2026, ocasião em que se aposentou quando começou a ser investigado, realizou centenas de voos e transportou milhares de passageiros em aviões que, afinal, não tinha permissão legal para comandar. 

Em coletiva de imprensa, esta terça-feira (9), o vice-chefe da polícia de Peel, Nick Milonovich, disse que os detalhes da investigação “parecem o roteiro de um filme”.

Já o detetive Chad Michell explicou que, “como comandante, o acusado era considerado o piloto comandante e era o responsável final pela operação e segurança da aeronave durante o voo”.

No total, fez mais de 900 voos domésticos e internacionais com uma licença falsa e acumulou milhões de dólares em salários ao longo da sua carreira de quase três décadas.

As suspeitas sobre o falso comandante só começaram em março de 2025, durante uma operação de fiscalização de rotina no Terminal 1 do Aeroporto Internacional Pearson de Toronto, em Mississauga, Ontário.

Nessa ocasião, “foram detectadas anomalias na documentação da licença de piloto que apresentou”, explicou Michell, acrescentando que o caso começou a ser investigado pelo Ministério dos Transportes do Canadá e, posteriormente, pela polícia. 

Segundo explicou, a investigação da polícia de Peel começou em janeiro de 2026, depois de os agentes terem sido informados pelo Ministério dos Transportes do Canadá sobre as conclusões da agência reguladora.

Concluiu-se que, apesar de Geoffrey Wall tivesse “algumas qualificações” para ser piloto comercial, “nunca obteve a Licença de Piloto de Transporte Aéreo para Aviões, uma licença de alto nível necessária para transportar passageiros nas aeronaves que pilotava, incluindo os Boeing 767, 777 e 787”.

O ex-piloto enfrenta agora várias acusações, incluindo fraude superior a 5.000 dólares, uso de documentos falsificados, posse de marca falsificada e perturbação da ordem pública. Deverá comparecer em tribunal no dia 29 de junho.

Em comunicado, citado pelo The Guardian, a Air Canada garantiu que a segurança dos passageiros “não foi comprometida” pelo incidente, referindo que todos os pilotos “passam por formação recorrente obrigatória” a cada seis meses para “validar a sua competência de voo”, o que inclui uma verificação de voo com um piloto certificado pela Transport Canada todos os anos.

“Durante todo o seu período de trabalho na Air Canada, o indivíduo em questão era um piloto totalmente qualificado, detentor de uma Licença de Piloto Comercial válida, e cumpriu ou superou com sucesso a formação recorrente exigida, demonstrando um elevado nível de competência para operar aeronaves de grande porte em segurança”, afirmou a Air Canada.

Leia Também: Trump repete promessa de acordo com Irã, mas negociação não avança



Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Mundo

Airbus apresenta U145, helicóptero que voa sem pilotos; como funciona

Com a U145, estamos oferecendo aos nossos clientes uma versão autônoma e...

Mundo

Propulsor híbrido químico-iônico acelera e barateia pequenos satélites

Esse minúsculo motor-foguete híbrido promete viabilizar o desenvolvimento de uma nova geração...

Mundo

Metade dos norte-americanos teme que IA possa deixar alguém da família sem trabalho, mostra pesquisa Reuters/Ipsos

A pesquisa Reuters/Ipsos entrevistou 4.531 adultos nos EUA em todo o país...

Mundo

Metacristais direcionam sinais sem fio por ambientes complexos – sem energia

É uma solução passiva – sem fonte de alimentação ou baterias –...