A situação piorou quando repúblicas soviéticas passaram a pressionar por independência, incluindo o Cazaquistão, onde ficava a base de lançamentos espaciais de Baikonur. Para atender interesses políticos, Moscou decidiu alterar a escala das tripulações e priorizar o envio de um cosmonauta cazaque à Mir, adiando o retorno de Krikalev.
Do espaço, Krikalev recebia apenas informações limitadas sobre o que estava acontecendo. “Para nós, foi totalmente inesperado. Não entendíamos o que estava acontecendo”, relatou, na época. No dia 25 de dezembro de 1991, Gorbachev renunciou oficialmente, encerrando a existência da União Soviética.
Krikalev ainda permanecia em órbita – seu retorno acabou sendo adiado também por questões financeiras. O governo soviético em colapso já não tinha recursos suficientes para manter a operação espacial normalmente.
Ainda no espaço, o cosmonauta reconheceu o tamanho da crise. “O argumento mais forte era econômico porque isso permitia economizar recursos aqui”, afirmou, em declaração reproduzida pela Discover Magazine. “Eles dizem que é difícil para mim e realmente não é bom para minha saúde. Mas agora o país está em tanta dificuldade que economizar dinheiro virou prioridade máxima.”
Mais de 300 dias no espaço
Ao todo, o cosmonauta passou 311 dias consecutivos no espaço. Especialistas temiam os efeitos da longa exposição à microgravidade, que pode causar perda muscular, redução da densidade óssea e outros problemas físicos.













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