O presidente da China, Xi Jinping, alertou nesta quinta-feira que a relação entre chineses e norte-americanos poderá entrar em rota de confronto caso os Estados Unidos não lidem de forma adequada com a questão de Taiwan.
A declaração foi feita durante encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, em Pequim, segundo a emissora estatal chinesa.
“A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre China e Estados Unidos. Se for bem administrada, as relações entre os dois países poderão permanecer globalmente estáveis. Se for mal administrada, os dois países entrarão em confronto e poderão até chegar a um conflito”, afirmou Xi Jinping.
Segundo analistas, o termo utilizado pelo líder chinês em mandarim não necessariamente faz referência a uma guerra militar direta, mas indica um agravamento significativo das tensões diplomáticas e estratégicas.
Donald Trump chegou a Pequim na quarta-feira para uma visita oficial de dois dias. Nesta manhã, ele foi recebido por Xi Jinping no Grande Salão do Povo, edifício localizado na Praça da Paz Celestial que abriga o parlamento chinês.
Entre os temas discutidos estão as relações comerciais entre os dois países, a situação do Irã, Taiwan e até a possibilidade de um futuro acordo tripartite sobre armas nucleares envolvendo China, Estados Unidos e Rússia.
A questão de Taiwan ganhou destaque nas conversas após a aprovação, pelos Estados Unidos, de um pacote de armamentos de US$ 11 bilhões destinados à ilha, medida que provocou forte reação de Pequim.
O governo chinês considera Taiwan parte de seu território e vê qualquer apoio militar estrangeiro à ilha como uma interferência direta em assuntos internos.
Nos últimos dias, autoridades chinesas reforçaram publicamente a oposição à independência taiwanesa.
Uma porta-voz do governo chinês afirmou que a determinação da China em impedir a separação de Taiwan é “firme como uma rocha” e declarou que Pequim possui capacidade total para “esmagar qualquer tentativa de secessão”.
As declarações ocorreram após uma fala recente do presidente taiwanês, William Lai Ching-te, durante a Cúpula da Democracia de Copenhague.
Na ocasião, Lai afirmou que a democracia é “o bem mais precioso” de Taiwan e destacou que os taiwaneses “sabem muito bem que a democracia é conquistada, não concedida”.
“O povo de Taiwan nunca recuou diante dos crescentes desafios externos e jamais se submeterá à pressão. Taiwan é uma nação soberana e independente. Nenhuma tentativa de isolar Taiwan mudará nossa determinação de participar da comunidade internacional”, afirmou o líder taiwanês em mensagem de vídeo exibida no evento.
Há mais de 70 anos, os Estados Unidos desempenham papel central na disputa entre Pequim e Taipé. Embora Washington não mantenha relações diplomáticas oficiais com Taiwan, a legislação norte-americana obriga o país a fornecer meios de defesa para a ilha.
Além da questão militar, Xi Jinping também deve tentar convencer Trump a adotar uma posição mais favorável aos interesses chineses em relação a Taiwan, incluindo possíveis declarações contrárias à independência da ilha e apoio à chamada “reunificação”.
Xi Jinping ainda tem uma viagem oficial planejada para os Estados Unidos no fim deste ano. Será a primeira visita do líder chinês ao país desde o retorno de Donald Trump à presidência, em 2025.












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