Pelo menos 7.002 pessoas morreram durante a repressão aos protestos antigovernamentais ocorridos em janeiro no Irã, segundo levantamento divulgado pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, HRANA, citada pela Associated Press. A organização afirma que milhares de outras pessoas seguem desaparecidas.
Com sede nos Estados Unidos, a HRANA mantém uma rede de colaboradores dentro do Irã para verificar informações sobre mortes e prisões. A Associated Press ressalta, no entanto, que não conseguiu confirmar os dados de forma independente, já que as autoridades iranianas restringiram o acesso à internet e às chamadas internacionais.
De acordo com a entidade, o número de vítimas vem sendo atualizado gradualmente à medida que novas informações são cruzadas, apesar das dificuldades de comunicação com o interior do país.
Em 21 de janeiro, o governo iraniano reconheceu 3.117 mortes durante os protestos, a maioria de manifestantes. Organizações de direitos humanos contestam esse balanço e afirmam ter dados que indicam um número significativamente maior de vítimas, além de dezenas de milhares de detenções.
Até quarta-feira, a HRANA contabilizava 52.941 pessoas presas em decorrência das manifestações, incluindo integrantes do movimento reformista que apoiaram a campanha presidencial de Masoud Pezeshkian em 2024, mas que posteriormente se afastaram do atual presidente.
A nova onda de protestos teve início em 28 de dezembro, em Teerã, liderada por comerciantes e setores econômicos impactados pela desvalorização do rial e pela alta inflação. As manifestações se espalharam para centenas de cidades em todo o país.
Inicialmente, as autoridades demonstraram certa tolerância em relação aos atos, mas posteriormente intensificaram a repressão. Manifestantes passaram a ser classificados pelo governo como terroristas com suposta ligação aos Estados Unidos e a Israel.
Em meio à escalada de tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar ataques contra o Irã e enviou uma frota naval para a região. Posteriormente, passou a exigir um acordo sobre o programa nuclear iraniano. O governo de Teerã aceitou retomar o diálogo com Washington, e um primeiro encontro entre representantes dos dois países ocorreu na última sexta-feira, em Omã.













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