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Novo filme de Almodóvar revela a morte como vivência social e psicológica

Temos escolhas dentro deste processo. Muitas são indiretas, ligadas aos riscos e cuidados que decidimos tomar ao longo da vida. Mas nenhuma suficiente para comandar ou deter nosso processo de acabamento.

De qualquer maneira, o processo de morrer, aceitar ou lutar com a finitude e acabar depende da incidência da tecnologia sobre a ética. Discutimos sobre cuidados paliativos e declaramos como e quando queremos ser tratados medicamente.

Como a tecnologia não é distribuída igualmente entre as pessoas e como a ética presume diferentes atitudes diante de nossos consensos morais e jurídicos, sempre teremos aqueles que estão na “vanguarda” dos novos modos de viver e morrer, aqueles que estão na retaguarda, esperando um pouco mais para assimilar as novas técnicas, e aqueles que estão divididos entre o novo e o antigo.

Vários filmes já retrataram esse processo de despedida e luto: desde Viver (1953), até Coração Normal (1985) e o Ano do Pensamento Mágico (2007). Agora, o filme de Almodóvar discute as promessas e a decepção no tratamento médico, ressaltando o problema da integridade de uma vida, completa em si mesma, ainda que finita.

Uma vida, mesmo tendo sido bem vivida, vê-se diante da indignidade representada pelo degradante processo de acabamento e diante e vê-se diante de desejos pendentes, insatisfações residuais e amores inconcluídos.

Martha, a protagonista, está com câncer e decide “não se tratar” quando recebe a noticia. Ela parece, inicialmente, pronta para morrer, já que a vida lhe deu o suficiente, e a festa um dia tem que acabar. Como ela diz, teve uma vida cheia de emoções e intensa adrenalina, graças à profissão de correspondente de guerra.



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