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Trump diz que que manterá bloqueio em Hormuz e pede que negociadores de acordo não se precipitem

GUILHERME BOTACINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (24) que o bloqueio americano no estreito de Hormuz continuaria em vigor enquanto um acordo com o Irã não fosse “alcançado, certificado e assinado”.

“As negociações estão procedendo de forma ordenada e construtiva, e informei meus representantes que não se precipitassem porque o tempo está do nosso lado. O bloqueio continuará em força e efeito total até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.

“Os dois lados têm que tomar seu tempo para fazer o acordo direito. Não pode haver erros! Nossa relação com o Irã está se tornando muito mais profissional e produtiva”, disse ainda o republicano.

As declarações do presidente americano parecem contradizer o que ele próprio havia dito neste sábado (23), quando afirmou que as negociações estavam em seus detalhes finais e que um entendimento poderia ser alcançado ainda neste final de semana, inclusive com a reabertura de Hormuz.

Do lado iraniano, não parece haver grandes concessões. Mais cedo, o presidente persa, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã estava pronto para reassegurar o mundo de que não busca armas nucleares, até aí algo já defendido pelo país antes do conflito, a despeito de seu programa de enriquecimento de urânio ir além do necessáro para usos civis.

Pezeshkian disse também, por outro lado, que os negociadores iranianos não iriam abrir mão da honra e da dignidade do país, indicando poucas concessões nessa, já que Teerã considera seu programa nuclear um direito inalienável.

Em seguida, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que ele e Trump concordaram que qualquer acordo para o fim do conflito precisa passar pelo desmantelamento do programa nuclear iraniano. O presidente americano, em sua publicação, voltou a criticar o acordo anterior existentes com Teerã, negociado pelo ex-presidente Barack Obama e do qual Trump retirou os EUA durante seu primeiro mandato.

“A ideia de que esse presidente [Trump], dado tudo que ele já provou que está disposto fazer, vai de algum jeito concordar com um acordo que termine colocando o Irã em uma posição mais forte quando se trata de suas ambições nucleares é absurda. Isso simplesmente não vai acontecer”, afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Outro ponto defendido publicamente pelo Irã é o controle sobre o estreito de Hormuz, também tratado sob a ótica de que a prática é um direito do país, apesar de tratados internacionais sobre a liberdade de navegação.

Teerã estabeleceu uma agência de administração da passagem marítima, em uma tentativa de institucionalizar o controle que estabeleceu sobre o estreito desde o início da guerra, em fevereiro. Segundo a Guarda Revolucionária, 33 embarcações teriam passado pela via após obter aval iraniano –não fica claro se esse aval significa pagamento de taxas ou outro tipo de concessão e autorização com base na origem e destino dos navios.

De todo modo, apesar da declaração de Trump deste sábado de que o acordo em negociação prevê a reaberta de Hormuz, o Irã discorda. Mohsen Rezaei, um assessor do líder supremo Mojtaba Khamenei, afirmou neste domingo que a gestão do estreito era um “direito legal” do país.

“A administração iraniana do estreito de Hormuz encerra 50 anos de insegurança no golfo Pérsico”, afirmou ele segundo agências do país ligadas ao regime.

De acordo com agências de notícias do Omã, autoridades do país e do Irã se reuniram neste domingo para discutir princípios para uma governança da liberdade de navegação em Hormuz.

O país da península arábica foi um dos menos atingidos por ataques retaliatórios iranianos, que miraram em particular outros países árabes da região com forte presença americana em bases militares, como Qatar e Emirados Árabes Unidos.

Segundo o jornal britânico The Guardian, cinco países do golfo (Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos e Qatar, notadamente sem assinatura de Omã), enviaram uma carta à Autoridade Marítima Internacional, um órgão de fiscalização, pedindo que embarcações comerciais não aceitem medidas estipuladas pelo Irã para Hormuz, como o pagamento de taxas.
Na carta, os países árabes afirmam que aceitar as medidas criaria um precedente perigoso para navegação regional e mundial.

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