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Transmissões de civilizações alienígenas são distorcidas pelo clima espacial

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Redação do Site Inovação Tecnológica – 19/03/2026

O sinal de rádio de um planeta pode começar como um tom agudo (à esquerda, branco), mas pode ser disperso pelos ventos de plasma ao redor da estrela, tornando-se um sinal mais amplo e fraco (à direita, verde). Podemos estar perdendo sinais por estarmos procurando principalmente pela forma branca aguda, em vez da forma verde mais ampla.
[Imagem: Vishal Gajjar]

Perdendo a sintonia

Astrônomos do Instituto SETI, especializado na busca por sinais de inteligência extraterrestre, acreditam que o clima espacial estelar pode ser o grande culpado por nunca termos detectado sinais de rádio provenientes dos ETs.

A atividade estelar e a turbulência do plasma perto de um planeta transmissor podem alargar um sinal que, de outra forma, seria ultraestreito, espalhando sua potência por mais frequências, o que torna muito mais difícil detectá-los nas buscas tradicionais, que tipicamente se concentram em bandas estreitas.

Há décadas, os vários experimentos do SETI se concentraram na identificação de picos de frequência, sinais improváveis de serem produzidos por processos astrofísicos naturais. Mas agora os astrônomos se deram conta de uma complicação à qual ninguém havia prestado atenção: Mesmo que um transmissor extraterrestre produza um sinal perfeitamente estreito, ele pode não permanecer estreito quando deixar seu sistema planetário.

Na maioria das buscas por tecnoassinaturas, os cientistas levam em conta as distorções que ocorrem à medida que as ondas de rádio viajam pelo espaço interestelar. Mas os pesquisadores se concentraram agora no que pode acontecer mais perto da fonte. Flutuações na densidade do plasma em ventos estelares, bem como eventos eruptivos ocasionais, como ejeções de massa coronal, podem distorcer as ondas de rádio perto de seu ponto de origem, efetivamente “borrando” a frequência do sinal e reduzindo a intensidade do pico da qual os mecanismos de busca dependem.

É mais ou menos como se uma estação de rádio transmitisse em uma frequência precisa para ser detectada pelo seu rádio, mas essa frequência acaba se “abrindo” em uma faixa muito ampla – o resultado é que seu rádio nunca conseguirá sintonizar a estação.

“As buscas do SETI são frequentemente otimizadas para sinais extremamente estreitos. Se um sinal for alargado pelo ambiente de sua própria estrela, ele pode ficar abaixo dos nossos limites de detecção, mesmo que esteja presente, o que pode ajudar a explicar parte do silêncio de rádio que observamos em buscas por tecnoassinaturas,” disse o Vishal Gajjar, coordenador da pesquisa.

Sinais alienígenas são distorcidos pelo clima espacial

As simulações mostraram que o sinal fica totalmente borrado ao passar pelos meios turbulentos do ambiente espacial: O sinal praticamente desaparece (quadros inferiores).
[Imagem: Vishal Gajjar et al. – 10.3847/1538-4357/ae3d33]

Usando naves humanas

Para quantificar o efeito, Gajjar se baseou em algo que se pode medir diretamente: Transmissões de rádio de naves humanas dispersas pelo nosso Sistema Solar. Usando medições empíricas de diversas sondas espaciais foi possível avaliar como o plasma alarga sinais de banda estreita. Em seguida, essas medições foram extrapoladas para uma ampla gama de ambientes estelares.

O resultado é uma estrutura prática para estimar o quanto o sinal de uma transmissão pode ser alargado por diferentes tipos de estrelas e frequências da transmissão, especialmente nas condições de clima espacial esperadas ao redor de estrelas ativas. O trabalho aponta para uma forte implicação na seleção de alvos e no planejamento de buscas. Estrelas anãs M, que constituem cerca de 75% das estrelas da Via Láctea, têm a maior probabilidade de que quaisquer sinais de banda estreita sejam alargados antes de deixarem o sistema.

Os pesquisadores argumentam que isso motiva estratégias de busca que permaneçam sensíveis mesmo quando os sinais não são perfeitamente finos.

“Ao quantificar como a atividade estelar pode remodelar os sinais de banda estreita, podemos planejar buscas que sejam mais adequadas ao que realmente chega à Terra, e não apenas ao que pode ser transmitido,” disse Grayce Brown, membro da equipe do SETI.

Bibliografia:

Artigo: Exo-IPM Scattering as a Hidden Gatekeeper of Narrowband Technosignatures
Autores: Vishal Gajjar, Grayce C. Brown
Revista: The Astrophysical Journal
Vol.: 999, Number 2
DOI: 10.3847/1538-4357/ae3d33

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