O governo de Taiwan condenou nesta segunda-feira a sentença de 20 anos de prisão imposta em Hong Kong ao magnata da imprensa pró-democracia Jimmy Lai. Em nota, as autoridades taiwanesas classificaram a punição como “dura” e denunciaram o uso “ilegítimo” da legislação de segurança nacional para “reprimir liberdades fundamentais”.
Em comunicado divulgado após a leitura da sentença, o Conselho para os Assuntos do Continente, órgão responsável pelas relações com a China continental, exigiu o “fim da perseguição política” e a “libertação imediata” de Lai, condenado por conspiração com forças estrangeiras e pela publicação de conteúdos considerados sediciosos.
“A severa pena aplicada a Jimmy Lai com base na Lei de Segurança Nacional de Hong Kong não apenas o priva da liberdade pessoal e esmaga a liberdade de expressão e de imprensa, como também nega o direito fundamental dos cidadãos de responsabilizar seus governantes”, afirmou o órgão.
Segundo o governo de Taipé, o caso evidencia mais uma vez que, sob o modelo de “um país, dois sistemas” promovido pelo Partido Comunista Chinês, as liberdades e direitos prometidos à população de Hong Kong “não passam de declarações formais”. Para o conselho, o sistema judicial da região foi transformado em uma “ferramenta de repressão política e de retaliação contra dissidentes”.
Taiwan também criticou o fato de as acusações contra o empresário incluírem sua influência na mídia e suas conexões internacionais no âmbito da segurança nacional, com o objetivo de “criar um efeito dissuasório que ultrapassa setores e fronteiras”.
“Não se trata de um caso isolado nem restrito a Hong Kong, mas de um sinal de alerta de que o Partido Comunista Chinês está acelerando a exportação de seu autoritarismo”, afirmou o conselho, ao pedir que os cidadãos taiwaneses “tomem como advertência a dolorosa experiência de Hong Kong” e preservem seu “modo de vida livre”.
Jimmy Lai, fundador do jornal Apple Daily e crítico do governo chinês, está preso desde 2020. Ele foi declarado culpado em dezembro do ano passado, após um julgamento sem júri que durou 156 dias e é considerado o mais emblemático desde a imposição da Lei de Segurança Nacional por Pequim em Hong Kong, também em 2020.











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