Por que isso importa
39% dos 118,8 milhões que acessam a plataforma por dia têm menos de 13 anos, segundo a própria empresa. “É como um parque de diversões: a criança pode ir, mas, dependendo do brinquedo, não pode usar”, explica Rodrigo Nejm, doutor em psicologia e especialista em educação digital do Instituto Alana. Porém, não existe controle na prática.
Roblox não exige idade mínima para acessar os mundos virtuais e permite chats e conversas por voz. A plataforma usa filtros para oferecer opções de ambientes virtuais, mas não checa a autodeclaração de idade. Ou seja, nada impede que uma criança declare ter 18 anos ou mais. A falta de verificação também faz com que fique impossível de saber se a criança conversa com outra criança ou adulto.
A gente não sabe quem são as pessoas que têm acesso ao nosso filho e quem está coordenando o negócio [jogo]. Você entra e tem que responder a um monte de coisa e a uma hierarquia. Tem uma comunicação pelo Discord também.
Raul
“É preciso intervenção intencional e mecanismo eficiente de identificação, mas ninguém está olhando”, diz especialista. Segundo Neim, a discussão sobre “adultização” de crianças nas redes sociais, desencadeada pelo influenciador Felca, deve necessariamente passar pela plataforma de jogos, que dá acesso ilimitado a conteúdo adulto, sexual e violento e naturaliza questões às quais os menores sequer deveriam consumir — mesmo que de forma simulada.
Crianças e adolescentes também podem usar a moeda “robux” e fazer transações. É assim que a plataforma ganha dinheiro, com venda de itens dentro dos jogos —pode ser uma roupa e armadura ou fuzil e drogas.
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