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Rebelião contra a IA começa na base de Trump e pode chegar ao Brasil

Mas o foco principal dessa confusão está nas consequências concretas com o avanço desenfreado dos data centers, que compõem a infraestrutura física da IA. São construções colossais que passam a trazer perturbações reais para a vida das pessoas. O Financial Times publicou uma reportagem mostrando como essa questão chegou até mesmo nos redutos conservadores do movimento Maga.

Eleitores de Trump estão se revoltando com consumo massivo de eletricidade, pressão sobre o abastecimento de água, além de uma promessa de geração de emprego que não se cumpre. Uma das preocupações é que isso possa impactar até mesmo a eleição de meio de mandato, com candidatos Democratas ganhando popularidade por vocalizar uma visão mais crítica sobre a IA.

De olho nisso, alguns políticos republicanos estão desafiando a própria Casa Branca e suas políticas para a IA. O governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, vem propondo formas de limitar a expansão descontrolada de data centers no seu estado. Curiosamente, nesse ponto ele se junta a um movimento iniciado por Bernie Sanders.

No Brasil, esse debate começa a se estruturar com a política do Redata, articulada principalmente pelo Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que prevê incentivos fiscais para atrair data centers ao país. O argumento do governo federal é que hoje processamos cerca de 60% dos nossos dados fora e temos vantagens comparativas, como energia renovável e potencial de expansão, para atrair investimento estrangeiro.

As justificativas são plausíveis e temos uma janela de oportunidade importante agora, mas pesquisadores e organizações da sociedade civil têm feito críticas ao projeto. Embora a proposta preveja contrapartidas para o mercado brasileiro, muitos enxergam que elas são pequenas perto do risco de transformar a política em mais um benefício para as grandes empresas de fora do país.

O medo é o Brasil virar um celeiro de data centers que consomem nossa energia, água, geram poucos empregos locais e servem sobretudo aos interesses de plataformas estrangeiras, que usam essa infraestrutura não apenas para o mercado brasileiro, mas para sustentar suas operações globais.



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