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Paraplégico realiza o mergulho mais mortífero do mundo: “É como o abismo”

Shaun Gash tem 55 anos, é paraplégico, não possui a perna direita e entrou para a história em setembro de 2025 ao realizar o mergulho considerado o mais perigoso do mundo, no local conhecido como “Cemitério dos Mergulhadores”. Ele é o primeiro paraplégico a completar esse feito.

Shaun sofreu um grave acidente de carro em 1991, quando tinha apenas 20 anos. Ele estava no banco do passageiro quando o motorista perdeu o controle do veículo ao fazer uma curva.

O carro saiu da pista e, segundo os médicos, Shaun sobreviveu por pouco. O acidente, no entanto, deixou sequelas severas: lesão na medula espinhal na vértebra T5, fratura de quatro costelas, do ombro esquerdo e perfuração dos dois pulmões.

Como consequência, Shaun ficou paraplégico, com paralisia do peito para baixo.

“Eu fiquei muito mal depois do acidente, tive pensamentos suicidas”, contou em entrevista ao New York Post. “Demorei muito tempo para aceitar o que tinha acontecido”, relatou. Segundo ele, a fisioterapia foi fundamental nesse processo.

Durante a reabilitação, Shaun passou a enxergar o que ainda tinha preservado. “Eu ainda tinha força nos braços. Vi pessoas que não tinham isso”, disse.

“A partir do momento em que me aceitei e aceitei meu corpo, pensei: ‘Você só precisa continuar vivendo’. O pior cenário já tinha acontecido. O maior risco que ainda corro é morrer, mas isso é igual para todo mundo”, afirmou.

Em 2018, Shaun precisou amputar a perna direita.

Decidido a seguir em frente, ele treinou intensamente para manter autonomia e reduzir ao máximo a dependência de cadeira de rodas. O esforço abriu caminho para desafios extremos, acessíveis a poucas pessoas.

Nesse mesmo ano, durante uma dessas aventuras, Shaun tentou escalar o Ben Nevis, a montanha mais alta do Reino Unido, com 1.345 metros de altitude, na Escócia. Durante a subida, a perna direita sofreu um esmagamento grave, o que levou à amputação do membro.

Mesmo assim, ele não parou.

Anos depois, em outubro de 2024, percorreu cerca de 300 quilômetros de canoa em uma travessia entre Chirundu e a Zâmbia, passando por regiões de Moçambique. A jornada durou sete dias.

Durante o percurso, Shaun relatou a presença constante de animais selvagens, como leões, hipopótamos e crocodilos. À noite, hienas e búfalos circulavam próximos à barraca onde ele dormia.

“Eu conseguia ouvi-los rosnando. Foi muito emocionante. Eu não tinha nenhuma estratégia de fuga. Se quisessem, teriam me comido”, contou.

Shaun treinou durante seis anos para enfrentar o mergulho mais fatal do mundo.

Em setembro de 2025, ele encarou o Blue Hole, no Egito, local que ficou conhecido como “Cemitério dos Mergulhadores”. Estima-se que cerca de 200 pessoas tenham morrido ali nas últimas décadas.

“É como um abismo”, descreveu. “Nunca ninguém como eu tinha sequer tentado isso antes. Acho que cheguei ao final com cerca de dez minutos de oxigênio no tanque”, afirmou.

O mergulho envolve uma descida inicial de cerca de 30 metros, seguida por mais 300 metros em direção a um enorme túnel submerso. O Blue Hole tem aproximadamente 100 metros de profundidade e é conectado ao mar aberto por um arco longo e estreito.

A combinação entre profundidade e extensão do túnel faz com que o consumo de oxigênio seja muito mais rápido do que o normal, o que torna esse mergulho um dos mais perigosos do planeta.

Com o feito, Shaun Gash quebrou seu terceiro recorde mundial: foi o primeiro mergulhador paraplégico a atingir 40 metros de profundidade, permanecer 60 minutos submerso e completar integralmente o percurso do Blue Hole.

As imagens do mergulho podem ser vistas na galeria acima.
 
 
 

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