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“Ocupado” em Caracas ou detido nos EUA: Onde está Saab, aliado de Maduro?

O advogado de Alex Saab, considerado um testa de ferro de Nicolás Maduro, negou que seu cliente tenha sido preso na quarta-feira, em Caracas, em uma suposta operação conjunta entre Venezuela e Estados Unidos.

“Estive com ele esta manhã, está tranquilo em Caracas”, afirmou o advogado Luigi Giuliano, segundo o jornal colombiano El Espectador, ainda na quarta-feira.

Ao jornal El Tiempo, também da Colômbia, a equipe de advogados de Saab reforçou que ele estava calmo e “seguro”. O grupo acrescentou: “Alex Saab está muito ocupado com a comissão para a libertação de Maduro e [Cilia] Flores.”

A declaração veio após diversas publicações internacionais, incluindo a agência Reuters, informarem que Saab, ex-ministro de Maduro, teria sido detido e poderia ser extraditado para os EUA.

Saab tem 54 anos, nasceu na Colômbia e é empresário. Ele também colaborou com o governo de Hugo Chávez, que liderou o país antes de Maduro.

O que se sabe? Como teria ocorrido a operação (ainda não confirmada)

Mais de 24 horas depois da suposta ação conjunta entre Washington e Caracas, não houve confirmação oficial da colaboração por parte dos governos envolvidos: nem por Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, nem por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A informação começou com a Rádio Caracol, da Colômbia, que noticiou que a captura teria ocorrido de madrugada, por volta das 2h, e que o FBI teria participado. A emissora disse que forças venezuelanas estariam com Saab sob controle. Embora a rádio não tenha revelado suas fontes, a Reuters publicou notícia semelhante horas depois, citando um oficial norte-americano e informando que a extradição do ex-ministro poderia acontecer nos próximos dias.

O mesmo funcionário destacou a importância da cooperação entre EUA e Venezuela e afirmou que, na mesma operação, Raúl Gorrín, dono da emissora venezuelana Globovisión, também teria sido preso.

Quem é Alex Saab, apontado como testa de ferro de Maduro?

Saab nasceu na Colômbia, mas também tem nacionalidade venezuelana. Além de aliado de Maduro, ficou conhecido por sua atuação no setor empresarial. Ele estreitou vínculos com o governo venezuelano ainda nos últimos anos de Hugo Chávez.

Não seria a primeira vez que Saab foi detido. Em 2020, ele foi preso em Cabo Verde por acusações de suborno. Passou três anos sob custódia de Washington, mas depois fez um acordo para ser libertado e voltar à Venezuela, em uma negociação que envolveu a soltura de norte-americanos presos no país.

Na época, autoridades dos EUA o acusaram de desviar cerca de 250 milhões de dólares da Venezuela por meio de um esquema ligado ao controle estatal de câmbio. Saab sempre negou as acusações de lavagem de dinheiro, alegando imunidade diplomática. Defensores do regime de Maduro afirmavam que as acusações eram políticas e chamavam o caso de “sequestro”.

Ao retornar, ele foi recebido como herói nacional e nomeado ministro da Indústria, cargo que ocupou até janeiro deste ano. A nomeação foi criticada pela oposição venezuelana e por analistas internacionais, que lembravam o histórico do empresário nos EUA.

A suposta prisão desta quarta-feira acontece pouco mais de um mês após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em 3 de janeiro. O ex-presidente está atualmente em uma prisão no Brooklyn, em Nova York, acusado, entre outros crimes, de narcoterrorismo.

Depois de se declarar inocente no fim de janeiro, a próxima audiência está marcada para 17 de março. Sua esposa, a ex-congressista Cilia Flores, também está presa nos EUA, tendo sido levada junto com Maduro.

Desde essa captura, Delcy Rodríguez assumiu o governo venezuelano de forma interina e vem se aproximando das autoridades norte-americanas. Donald Trump já elogiou seu trabalho, afirmando inclusive que ela estaria cooperando com os Estados Unidos.

Leia Também: Lula diz que terá conversa olho no olho com Trump e que só não discutirá soberania

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