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Mortes superam nascimentos na França pela 1º vez desde a 2º Guerra Mundial

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A França registrou mais mortes do que nascimentos em 2025, segundo números oficiais divulgados nesta terça-feira (13). É a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que os dados apontam um cenário que mina a vantagem demográfica de longa data do país sobre outras nações da União Europeia.

Em 1º de janeiro deste ano, 69,1 milhões de pessoas viviam na França, 0,25% a mais do que em 2025. O aumento, porém, ocorre apenas devido à migração líquida de 176 mil pessoas, segundo o Insee (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos, na sigla em francês). O crescimento natural, que corresponde à diferença entre nascimentos e óbitos, foi negativo: – 6.000.

Essa situação se deve ao recuo da natalidade e ao avanço das mortes.

Cerca de 645 mil bebês nasceram em 2025, 2,1% a menos que no ano anterior, o que corresponde ao menor número desde 1944 pelo quarto ano consecutivo. Paralelamente, 651 mil pessoas morreram, alta de 1,5% em relação a 2024, devido principalmente à epidemia de gripe de inverno, segundo o Insee, e à chegada da geração “baby boomer” (nascida entre o fim dos anos 1940 e início dos 1960) à idade de risco.

Tradicionalmente, a França possui vantagem demográfica em relação à maioria dos países europeus, mas o envelhecimento da população e a queda nas taxas de natalidade demonstram que o país não está imune à crise demográfica que pressiona as finanças públicas em todo o continente.

“O que surpreende é até que ponto, em poucos anos, o crescimento natural diminuiu devido à rápida queda dos nascimentos”, afirmou Sylvie Le Minez, chefe da unidade de estudos demográficos e sociais do Insee, em entrevista coletiva.

De acordo com o Insee, a taxa de fecundidade caiu para 1,56 filhos por mulher no ano passado, seu nível mais baixo desde a Primeira Guerra Mundial e bem abaixo do 1,8 das previsões de financiamento de aposentadorias pelo Conselho Consultivo de Pensões.

Em 2023, o ano mais recente para comparações com a União Europeia, a França ficou em segundo lugar, com uma taxa de fecundidade de 1,65, atrás apenas da Bulgária, com 1,81.

A mudança demográfica empurrará os gastos públicos de volta aos níveis da era da pandemia nos próximos anos, enquanto a base tributária erode, alertou o Tribunal de Contas da França no mês passado.

A expectativa de vida atingiu recordes no ano passado -85,9 anos para mulheres e 80,3 para homens-, enquanto a proporção de pessoas com 65 anos ou mais subiu para 22%, quase igualando aqueles com menos de 20 anos.

“Considerando a aposentadoria das grandes gerações nascidas na década de 1960, as tensões no mercado de trabalho e os problemas relacionados à força de trabalho provavelmente aumentarão rapidamente nos próximos anos”, afirmou o economista Philippe Crevel, da think tank Cercle d’Epargne.

A preocupação com os nascimentos paira na França há anos. Em 2024, o presidente Emmanuel Macron defendeu um “reforço demográfico”, baseado em impulsionar a natalidade melhorando a licença parental e combatendo a infertilidade.

Para os demógrafos, dificuldades para ter filhos incluem encontrar um trabalho estável, acesso à moradia, incerteza sobre a crise climática e conciliação entre vida profissional e familiar.

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