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Maduro passa as noites do ‘inferno na terra’ gritando: “Sou presidente”

Em cerca de dois meses e meio, Nicolás Maduro deixou de ser visto rodeado por líderes mundiais, nacionais ou mesmo da família e amigos, para ser ouvido apenas por outros reclusos em uma prisão em Nova York – em um espaço que é descrito como “o inferno na terra.”

Ao jornal espanhol ABC, o advogado de um dos reclusos que compartilha o mesmo espaço que Maduro, agora acusado de narcoterrorismo pelos Estados Unidos, conta que o venezuelano grita durante a noite, fazendo barulho na cela e querendo manter a sua posição de líder – que, já foi realidade e hoje não passa de um sonho distante. Da cela, Maduro grita em espanhol: “Sou o presidente da Venezuela. Digam ao meu país que eu fui raptado e que estamos sendo maltratados aqui.”

A publicação espanhola descreve a cena de desespero de Maduro dando conta de que esta é uma diferença extraordinária do homem que ‘calava’ milhares ao iniciar discursos que todos ouviam, até aos gritos que, por mais altos que se façam ouvir, não movem ninguém. Maduro passa as noites gritando em espanhol e repete ainda que a acusação de sequestro seja transmitida à sua família e ao povo venezuelano

Na operação que foi realizada pelos EUA em 3 de janeiro, também a sua esposa, Cilia Flores, foi detida – e lavada para os Estados Unidos. Maduro declarou-se inocente e volta a ser ouvido ainda em março. Vale destacar que, para além de dizer que é inocente, disse em tribunal que continuava sendo o presidente legítimo do país, alegando que o Estado venezuelano deveria pagar-lhe as despesas judiciais.

O “inferno na terra” onde ninguém estar

Fontes próximas da detenção falaram ainda ao ABC acerca das condições deste centro de detenção, localizado no bairro nova-iorquino de Brooklyn, e que já recebeu outros nomes como produtor Sean Diddy Combs, Ghislaine Maxwell (cúmplice de Jeffrey Epstein), o ex-presidente das Honduras Juan Orlando Hernández, entre outros.

Segundo estas fontes, o ex-líder venezuelano está em uma unidade especial, isolado de todos. Oficialmente, esta ala tem por objetivo prevenir eventuais suicídios, proteger detidos ou mesmo corrigir algum comportamento.

A cela será um espaço muito reduzido, com três metros de comprimento por dois de largura. Tem uma cama metálica, uma privada e pia, assim como uma pequena janela. Os detidos nesta ala podem sair da cela três vezes por semana durante uma hora, sempre algemados – e também com os pés com um aparelho que reduz a mobilidade. É nesse tempo que os detidos podem tomar banho, ver alguma correspondência e também usar o telefone (apesar de terem limitações mensais).

Um porta-voz do Departamento Federal das Prisões recusou comentar a situação de Maduro, dizendo que “por razões de segurança e privacidade” não são dadas informações sobre as condições em que o antigo presidente se encontra.

Um consultor que trabalhou em prisões durante muitos anos, Sam Mangel, explicou ao ABC que este centro é como um “inferno na terra”, tendo-lhe algumas pessoas relatado as más condições que existem neste centro: “Está totalmente abandonado, sem investimento ou trabalhadores suficientes. É um lugar em que ninguém gostaria de estar, nem por alguns minutos.”

No caso de Maduro, especialistas ouvidos pelo ABC dizem que o encaminhamento para esta ala se deve a razões de segurança, por forma a evitar um incidente.

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