Mundo

Israel proíbe atuação de 37 ONGs na Faixa de Gaza, incluindo Médicos Sem Fronteiras

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governo de Israel vai proibir a atuação de 37 organizações de ajuda humanitária na Faixa de Gaza a partir desta quinta-feira (1º) depois que as ONGs se recusaram a acatar novas exigências para operar no território -como fornecer a Tel Aviv informações detalhadas de seus trabalhadores palestinos.

Entre as organizações proscritas estão algumas das ONGs mais reconhecidas do mundo, como a Médicos sem Fronteiras (MSF) e a ActionAid. Os grupos dizem que as novas regras estipuladas por Israel e comunicadas no início de 2025 violam leis de privacidade da União Europeia e podem colocar em risco a vida dos trabalhadores.

Tel Aviv, por sua vez, acusa a MSF de contratar pessoas ligadas ao grupo terrorista Hamas e diz que a medida é necessária para que incidentes do tipo não se repitam. A ONG nega.

Uma vez que as Forças Armadas israelenses controlam todo o acesso a Gaza por terra, mar e ar, grupos humanitários que prestam serviços à população no território palestino precisam seguir uma série de restrições estipuladas por Israel para operar no local.

As Nações Unidas condenaram a medida. “A suspensão (…) é revoltante”, disse em nota o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, o austríco Volker Türk. “Trata-se do episódio mais recente em um padrão de restrições ilegais ao acesso humanitário, incluindo a proibição de Israel à UNRWA [agência para refugiados palestinos da ONU, que Israel acusa de ligações com o Hamas]”.

“Insto todos os Estados-membros, em especial aqueles com influência, a tomar medidas urgentes e insistir que Israel permita a entrada imediata e irrestrita de ajuda humanitária em Gaza. Suspensões arbitrárias pioram ainda mais o que já é uma situação intolerável para a população de Gaza”, afirmou Türk.

Em comunicado, os ministros das Relações Exteriores de dez países desenvolvidos expressaram “grave preocupação” com a situação humanitária em Gaza. “Com o inverno se intensificando, civis em Gaza enfrentam condições terríveis, com chuvas e baixas temperaturas”, diz o texto assinado por Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Japão, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça.

“A situação é catastrófica. 1,3 milhão de pessoas ainda precisam de abrigos, mais da metade da infraestrutura médica não funciona plenamente e enfrenta escassez de suprimentos e equipamento. O colapso total do saneamento básico deixou 740 mil pessoas vulneráveis a enchentes tóxicas”, diz a nota, que pede a suspensão de “restrições desmedidas [de Israel]”.

Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Mundo

Surto de síndrome de Guillain-Barré na Índia gera preocupações mundiais

Pune, uma grande cidade no oeste da Índia, tem testemunhado um número...

Mundo

Dez anos após fim da política de filho único, ‘sonho chinês’ de nação rejuvenescida ainda não se realizou

VICTORIA DAMASCENOPEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) – Por mais de 35 anos os casais...

Mundo

Regime iraniano promete resposta firme contra protestos no país; prédio de governador é atacado no sul

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O escritório de um governador local na...

Mundo

Rússia divulga vídeo de drone usado em suposto ataque da Ucrânia contra residência de Putin

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Ministério da Defesa da Rússia divulgou...