“As Forças de Defesa de Israel iniciaram uma onda de ataques em grande escala” contra alvos governamentais na capital do Irã, de acordo com um comunicado do exército israelense divulgado nesta madrugada.
O início dos novos ataques ocorreu pouco depois de o exército afirmar ter detectado uma nova salva de mísseis iranianos em direção a Israel.
Uma série de explosões foi ouvida em Tel Aviv após os disparos iranianos, aparentemente provocadas pela interceptação dos mísseis pelas defesas israelenses.
O exército informou então que os moradores estavam liberados para sair dos abrigos “em todas as regiões do país”.
As operações militares “estão indo muito bem”, afirmou na noite de sexta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia declarado anteriormente na rede social Truth Social — da qual é proprietário — que não haveria “nenhum acordo com o Irã, apenas uma CAPITULAÇÃO INCONDICIONAL!”.
As declarações do líder republicano fizeram disparar os preços do petróleo, que subiram quase 30% em uma semana, atingindo níveis não vistos desde 2023. O conflito na região está interrompendo grande parte do fluxo de hidrocarbonetos provenientes do Golfo.
Os bombardeios continuaram sem pausa, com o exército israelense anunciando ter atingido “400 alvos” em todo o Irã apenas na sexta-feira. O comando militar norte-americano para o Oriente Médio, United States Central Command (Centcom), afirmou ter atacado mais de “três mil” alvos desde o início da operação “Fúria Épica”, há uma semana.
“Estamos esmagando o regime terrorista iraniano”, afirmou na sexta-feira à noite o chefe do Estado-Maior do exército israelense.
De acordo com as autoridades iranianas, cerca de mil pessoas morreram desde o início da guerra, 30% delas crianças, disse o porta-voz do governo na sexta-feira, citado pela Agence France-Presse (AFP), que não conseguiu verificar essas informações de forma independente.
O Irã continua retaliando e mira Israel, onde dez pessoas já morreram, segundo os serviços de emergência. Outros países vizinhos do Golfo também foram atingidos, embora Teerã afirme que seus ataques têm como alvo apenas bases e interesses norte-americanos.
Treze pessoas, incluindo sete civis, morreram na região. Ainda na sexta-feira, mísseis e drones atingiram Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Qatar.
O Ministério da Defesa saudita anunciou hoje ter destruído um míssil balístico que se dirigia para a base aérea do príncipe Sultan, que abriga militares norte-americanos.
No Iraque, uma instalação petrolífera no sul do país foi alvo pela segunda vez na sexta-feira de um ataque com drones, informou uma fonte de segurança iraquiana. O Aeroporto de Bagdá, que abriga uma base militar e uma instalação diplomática dos EUA, também foi atingido.
No Líbano, que entrou no conflito quando o Hezbollah — aliado do Irã — atacou Israel “para vingar” a morte do aiatolá Ali Khamenei, o número de vítimas dos bombardeios israelenses de retaliação continua aumentando. Pelo menos nove pessoas morreram na noite de sexta-feira em ataques no leste do país, elevando o total desde segunda-feira para mais de 220 mortos e cerca de 800 feridos, segundo autoridades.
Cerca de 300 mil pessoas tiveram que fugir dos ataques israelenses em todo o país, de acordo com o Conselho Norueguês para Refugiados, muitas vezes sem saber para onde ir.
O Hezbollah também continua lançando foguetes contra Israel — 70 apenas na sexta-feira, segundo o exército israelense, que afirmou ter atingido “500 alvos” no Líbano desde segunda-feira e matado “70 terroristas” do movimento xiita libanês.
No sul do Líbano, uma posição da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) foi atingida na sexta-feira, deixando dois capacetes azuis gravemente feridos, segundo a imprensa estatal e o exército de Gana.
O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou o episódio como um “ataque inaceitável”.
A situação causada por “todos esses ataques ilegais” no Oriente Médio pode se tornar incontrolável, alertou na sexta-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, alegando que a ofensiva foi motivada pela inflexibilidade do regime iraniano nas negociações sobre o enriquecimento de urânio dentro do programa nuclear, que Teerã afirma ter fins exclusivamente civis.
Em resposta, o Irã lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
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