BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Donald Trump sonda o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, 64, como um potencial parceiro para negociações que encerrem o conflito um eventual líder do país persa mais maleável a interesses americanos.
A avaliação foi revelada pelo site americano Politico, que conversou com autoridades da gestão republicana sem nomeá-las.
De acordo com o site, Ghalibaf é uma das principais lideranças vistas por Washington para exercer esse papel, muito embora não seja a única e tenha também reforçado a retórica da República Islâmica de retaliação e ameaças aos EUA e aliados.
A busca por Ghalibaf sinaliza ainda uma tentativa de inflexão na política da Casa Branca para o conflito, à medida que ficam claros os limites da ação militar para a derrubada do regime em Teerã. Há poucas certezas sobre a estratégia, em particular dado que os ataques americanos começaram em meio a negociações com o Irã sobre seu programa nuclear.
Ex-prefeito de Teerã e presidente do Parlamento desde 2020 -quando substituiu o homem-forte do regime e chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani-, Ghalibaf negou nesta segunda qualquer negociações com os EUA, chamando relatos nesse sentido de “fake news usadas para manipular os mercados financeiro e do petróleo”.
Nesta segunda-feira (23), Trump anunciou que adiaria em cinco dias os ataques prometidos à infraestrutura energética iraniana caso o país não aceitasse suas demandas, em particular o fim do bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo global.
O recuo veio também com a afirmação de que a Casa Branca negociava com autoridades iranianas, algo que foi negado pela chancelaria de Teerã -que confirmou ter ouvido propostas de terceiros, mas se recusa a participar de negociações que não sejam diretas, com fim dos ataques e manutenção de sua soberania.
“Essas são discussões diplomáticas sensíveis e os EUA não vão negociar através da imprensa”, afirmou sobre o tema a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Uma das autoridades ouvidas pelo site americano afirma que Trump evita ataques mais intensivos à produção de petróleo do Irã, em particular ao maior centro de produção iraniana, a ilha de Kharg, porque ainda tem a expectativa de encontrar um interlocutor dentro do regime nos moldes do que ocorreu com Delcy Rodríguez, vice-líder do regime da Venezuela antes da captura do ditador Nicolás Maduro.
Outra autoridade ouvida pelo site, desta vez de um país do golfo Pérsico, afirma que Trump apenas tenta ganhar tempo e estabilizar os mercados com o recuo do ultimato.
Nesta segunda, Trump disse que não houve contato com o líder supremo, Mojtaba Khamenei -que assumiu após a morte do pai, Ali, no início da guerra disparada pelos Estados Unidos e Israel há três semanas, mas ainda não apareceu em público ou na TV.
“Eu não sei dele. Eu não o considero como líder”, disse Trump, que citou um acordo de 15 pontos em discussão que inclui a renúncia que o Irã já havia prometido fazer a armas nucleares. Ele também insiste em que a teocracia desista totalmente de seu programa nuclear, o que Teerã rejeita.
Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria do país disse que Trump só quer ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, e afirmou que há “iniciativas para reduzir a tensão”, mas que Teerã só aceitará propostas dos Estados Unidos diretamente.
Leia Também: Trump recua, anuncia negociações e adia ultimato por 5 dias










Deixe um comentário