Mundo

Furacão Melissa atinge Cuba após matar 48 pessoas no Caribe

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O furacão Melissa atingiu Cuba na madrugada desta quarta-feira (29), com ventos chegando a 195 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), após deixar um rastro de destruição na Jamaica.

A maioria dos jamaicanos ficou sem acesso à internet, e os principais aeroportos foram fechados, dificultando o trabalho das autoridades para avaliar a dimensão dos danos. O governo afirmou que o país é uma “zona de desastre” e que os moradores devem permanecer protegidos devido ao risco de inundações e deslizamentos de terra.

Fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam estradas e carros destruídos, além de árvores e destroços de telhados arrancados pelos ventos. O aeroporto de Montego Bay ficou com áreas de espera alagadas, vidros quebrados e tetos desabados. O Melissa foi uma das mais fortes tempestades de categoria 5 da escala Saffir-Simpson já registradas no país caribenho, com ventos de até 295 km/h.

Até o momento, a tempestade causou mais de 45 mortes na região -pelo menos 40 no Haiti, segundo afirmou Steven Aristil, da Agência de Proteção Civil do país, à agência de notícias Associated Press, além de quatro na Jamaica, três no Panamá e uma na República Dominicana.

Muitas áreas da Jamaica permanecem isoladas. No sudoeste, a paróquia de St. Elizabeth ficou debaixo d’água, e mais de 500 mil moradores ficaram sem energia elétrica.

A tempestade levou horas para atravessar a Jamaica, o que reduziu seus ventos para a categoria 3, para depois subir novamente para 4, e o NHC descreveu o furacão como “extremamente perigoso”. Cerca de cinco horas após tocar o solo de Cuba, o NHC afirmou que o furacão havia perdido força novamente, atingindo a categoria 2.

Aproximadamente 735 mil pessoas foram retiradas de suas casas na ilha à medida que a tempestade se aproximava. O líder cubano, Miguel Díaz-Canel, alertou na terça-feira (28) que o furacão causaria “danos significativos” e pediu que a população obedecesse às ordens de retirada.

As autoridades cubanas declararam “estado de alerta” em seis províncias: Granma, Las Tunas, Holguín, Camagüey, Santiago de Cuba e Guantánamo. Desde segunda-feira, a população começou a estocar mantimentos e a reforçar os telhados de suas casas com cordas. As aulas e atividades não essenciais foram suspensas.

O centro da tempestade atingiu Guamá, uma área rural e montanhosa a cerca de 40 km a oeste de Santiago de Cuba, a segunda cidade mais populosa do país. Vídeos divulgados nas redes sociais mostravam enxurradas de água barrenta descendo por ruas de cidades aos pés da Sierra Maestra, próximas a Santiago.

As autoridades relataram inundações generalizadas nas áreas baixas, desde Santiago até Guantánamo, onde mais de 35% da população deixou suas casas. O furacão não deve atingir a capital, Havana, diretamente. Cuba já enfrenta escassez de alimentos, combustíveis, eletricidade e medicamentos, o que tem dificultado a vida da população e provocado migração recorde desde 2021.

Inundações repentinas e deslizamentos de terra também estão previstos para ocorrer no Haiti e na República Dominicana. As autoridades haitianas ordenaram o fechamento de escolas, comércios e escritórios administrativos nesta quarta-feira.

Segundo análise da agência de notícias AFP com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Melissa tornou-se o furacão mais forte a atingir o solo da Jamaica em 90 anos.

O último fenômeno com força comparável foi o chamado “furacão do Dia do Trabalho”, que devastou o arquipélago de Florida Keys, nos Estados Unidos, em 1935, com ventos também próximos de 300 km/h. Desde o início dos registros oficiais da NOAA, em 1842, poucas tempestades atingiram níveis semelhantes de intensidade ao tocar a terra.

Na série histórica, o recorde absoluto de ventos mais fortes pertence ao furacão Patricia, que se formou no Pacífico antes de atingir o México em outubro de 2015, com rajadas de 343 km/h, e ao tufão Nancy, em 1961, que registrou a mesma marca.

Furacões são tempestades formadas no Atlântico Norte e no nordeste do Pacífico. Quando ocorrem em outras regiões, recebem outros nomes: tufões, no noroeste do Pacífico, e ciclones, no oceano Índico e no sul do Pacífico.

Leia Também: Furacão Melissa atinge Jamaica com categoria máxima e pode ser a ‘tempestade do século’

Fonte

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Mundo

Papa pede fim da guerra no Oriente Médio antes da Páscoa

O papa Leão XIV afirmou que espera o fim da guerra no...

Mundo

Países do Golfo pressionam ONU por ação diante do bloqueio no Ormuz

O Conselho de Cooperação do Golfo pediu à ONU que autorize o...

Mundo

Por que aumento real na renda nem sempre gera fidelidade política

Podemos dizer que esses dados são uma versão sociológica do que estudei...

Mundo

Irã ataca Israel, Kuwait e Bahrein após ameaça dos EUA e tensão dispara

Israel, Kuwait e Bahrein registraram novos ataques aéreos atribuídos ao Irã, poucas...