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Estudo revela que mais de 150 mil mortes por covid-19 não foram contabilizadas nos EUA

O número inicial de mortes pela pandemia de covid-19 foi muito maior do que a contagem oficial dos Estados Unidos, de acordo com um novo estudo que destaca grandes disparidades nos óbitos não contabilizados.

Cerca de 840 mil mortes por covid-19 foram registradas em certidões de óbito em 2020 e 2021. No entanto, um grupo de pesquisadores – utilizando uma forma de inteligência artificial – estima que, nesse período, até 155 mil mortes teriam ocorrido fora dos hospitais e ficado sem reconhecimento. Isso significa que cerca de 16% das mortes pela doença não teriam sido contabilizadas nesses anos.

Os resultados, publicados na quarta-feira, 18, na revista Science Advances, são semelhantes às estimativas de outros estudos sobre mortes durante a pandemia naquele período. Mas, na nova pesquisa, os autores tentaram determinar exatamente quais mortes teriam ficado de fora dos registros oficiais.

A resposta: provavelmente, os mortos não contabilizados eram hispânicos e negros, morreram nos primeiros meses da pandemia e moravam em certos estados do Sul e Sudoeste – incluindo Alabama, Oklahoma e Carolina do Sul.

Seis anos após a pandemia de coronavírus ter se alastrado pelos EUA, as barreiras ainda persistem para muitas das mesmas pessoas, afirma Steven Woolf, pesquisador da Virginia Commonwealth University que não participou do estudo.

“Pessoas marginalizadas continuam morrendo em taxas desproporcionais porque não têm acesso a cuidados médicos”, diz ele.

Acesso não foi o único desafio

Embora os pacientes hospitalizados fossem rotineiramente testados para covid-19, muitos dos que adoeceram e morreram fora dos hospitais não foram testados – frequentemente porque os testes domiciliares não estavam disponíveis no início da pandemia, afirma uma das autoras do estudo, Elizabeth Wrigley-Field, da Universidade de Minnesota.

Em algumas partes do país, as investigações de óbitos são conduzidas por legistas que nem sempre possuem formação especializada. Além disso, algumas pesquisas sugerem que opiniões partidárias podem influenciar a decisão da pessoa doente ou de seus familiares de realizar o teste para covid-19 e a realização de testes post-mortem para o coronavírus pelos legistas. De fato, alguns legistas relataram que familiares os pressionaram para que a covid-19 não fosse listada como causa da morte.

“Nosso sistema antiquado de investigação de óbitos é um dos principais motivos pelos quais não conseguimos obter números precisos, principalmente fora das grandes áreas metropolitanas”, afirma Andrew Stokes, da Universidade de Boston, autor principal do artigo.

Contagem de mortes foi afetada pela política

Os dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabilizam mais de 1,2 milhão de mortes por covid-19 nos Estados Unidos desde o início da pandemia, no começo de 2020. Mais de dois terços dessas mortes relatadas ocorreram em 2020 e 2021.

A contagem tem sido alvo de debate há muito tempo, devido a alegações falsas nas redes sociais de que o número de mortes estaria inflado. Para piorar a situação, o presidente Donald Trump, em agosto de 2020, retuitou uma publicação que afirmava que apenas 6% das mortes relatadas eram, de fato, causadas pela covid-19 – publicação que o Twitter posteriormente removeu.

Com certeza houve outras causas de morte durante a pandemia. Por exemplo, pessoas não infectadas morreram de outras condições médicas porque não conseguiam atendimento em hospitais sobrecarregados com pacientes com covid-19. Pessoas com dependência química morreram de overdose como resultado do isolamento social e da perda de acesso ao tratamento. Outros estudos que estimaram o número real de mortes durante a pandemia levaram esses óbitos em consideração.

Mas Stokes e seus colaboradores queriam se concentrar nas mortes de pessoas infectadas pelo coronavírus. Eles usaram aprendizado de máquina para analisar as certidões de óbito de pacientes infectados que morreram em hospitais e, em seguida, usaram padrões observados nesses registros para avaliar as certidões de óbito de pessoas que morreram fora dos hospitais e cujas mortes foram atribuídas a doenças como pneumonia ou diabetes.

A compreensão dos cientistas sobre os pontos fortes e fracos da pesquisa com uso de aprendizado de máquina ainda está em evolução, mas Woolf considera o uso que a equipe fez dessa tecnologia “intrigante”.

*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.

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