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Candidato da ultradireita de Portugal foi o mais votado por eleitores no Brasil

JOÃO GABRIEL DE LIMA
LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) – Derrotado por margem significativa nas eleições presidenciais -mais de trinta pontos percentuais-, o candidato da ultradireita portuguesa, André Ventura, ganhou um prêmio de consolação no Brasil.

Seu nome foi o mais votado entre os portugueses que moram no país e entre os brasileiros com dupla cidadania. Ventura teve ao todo 4.269 votos no Brasil, ou 58,73% do total, contra 3.000 (41,27%) do presidente eleito António José Seguro, um quadro histórico do Partido Socialista.

O Partido Chega, presidido por Ventura, já havia conseguido um bom resultado no Brasil nas eleições parlamentares de 2025. Na ocasião, a legenda de ultradireita obteve 12.930 votos, o que lhe valeu igualmente a primeira posição no país. O resultado do ano passado, no entanto, foi muito mais importante do que a vitória conseguida agora. Ela ajudou o Chega a se tornar o segundo maior partido na Assembleia da República.

O Parlamento português tem 230 assentos. Quatro deles são ocupados por deputados eleitos por cidadãos portugueses que vivem no estrangeiro. Na votação realizada em terras lusitanas, houve um empate entre o Chega e o Partido Socialista, cada um com 58 deputados.

A votação obtida no estrangeiro, no entanto, garantiu mais dois deputados à Aliança Democrática -coligação de centro-direita que venceu o pleito e deu a Luís Montenegro o cargo de premiê- e dois ao Chega. Com isso, a legenda que representa a ultradireita portuguesa se tornou a maior da oposição, com 60 deputados, contra 58 do Partido Socialista. Os eleitores brasileiros contribuíram para esse resultado.

Os 4.269 votos que Ventura recebeu no Brasil nesta eleição presidencial -menos que os 12.930 que o Chega amealhou em 2025- acabam diluídos em meio à massa de cidadãos portugueses com direito a voto: 10,97 milhões, sendo cerca de 15% no estrangeiro. É um número pouco significativo que, ao contrário do que ocorre nas eleições parlamentares, não faz diferença no resultado final.

Contando-se apenas os residentes no Brasil, o número continua sendo ínfimo. Existem 303.670 cidadãos portugueses ou brasileiros naturalizados aptos a votar na eleição portuguesa, dos quais apenas 7.308 foram às urnas no domingo (8) – 2,41%. Seguro ganhou em apenas um dos dez consulados, o de Porto Alegre. Proporcionalmente, a maior votação de Ventura foi em Belém do Pará, 73,89% dos votos.

Em números absolutos, Ventura só chegou aos quatro dígitos em São Paulo, com 1.179 votos, ou 58,58%. Mesmo quando representam porcentagens significativas os números são muito pequenos. O segundo consulado com maior proporção de votos para Ventura foi o de Fortaleza, 64,98%. Esse percentual corresponde, no entanto, a apenas 141 votos, insuficientes para eleger um representante na Assembleia de Freguesia (bairro) de Santa Maria Maior, onde se situam várias das principais casas de fado de Lisboa.

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