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Avião com carga de dinheiro cai e deixa 20 mortos na Bolívia

Pelo menos 20 pessoas morreram na sexta-feira após um acidente com um avião militar boliviano, que transportava dinheiro em cédulas, no aeroporto de El Alto, perto de La Paz, informaram os bombeiros. “20 pessoas foram contabilizadas”, informou o coronel Pavel Tovar à imprensa, no local do acidente. 

O avião saiu da pista durante o pouso, atingindo vários veículos em uma estrada próxima.

A autoridade de navegação aérea e aeroportos bolivianos (NAABOL) informou em comunicado que uma “aeronave da Força Aérea Boliviana C-130”, proveniente da cidade de Santa Cruz (leste), se envolveu em um acidente no “aeroporto internacional de El Alto”, o que levou à suspensão temporária das operações.

O avião transportava cédulas emitidas pelo Banco Central, que ficaram espalhadas pelo chão, obrigando a polícia a intervir com gás lacrimogêneo para afastar uma multidão que tentava recolhê-las, segundo imagens de televisão.

Banco da Bolívia queima dinheiro transportado por avião que caiu

O Banco Central da Bolívia (BCB) queimou as cédulas que estavam sendo transportadas no avião militar que sofreu o acidente na sexta-feira perto do aeroporto internacional de El Alto, deixando pelo menos 20 mortos e 28 feridos.

“Essas cédulas não são válidas, são ilegais, não estão em circulação e, portanto, estamos procedendo à queima, e qualquer pessoa que possua essas cédulas está cometendo um ato ilegal”, disse à imprensa, em El Alto — segunda cidade mais populosa da Bolívia — o presidente interino do BCB, David Espinoza.

Militares e policiais realizaram então a queima do dinheiro que ficou espalhado após o acidente do avião militar Hércules C-130, pertencente à Transportes Aéreos Bolivianos (TAB), uma divisão de carga da Força Aérea Boliviana (FAB). 

O avião pousou à tarde no aeroporto de El Alto, mas ao tocar o solo saiu da pista e percorreu cerca de um quilômetro, até parar fora do perímetro do terminal aéreo, colidindo com cerca de 15 veículos que circulavam pelo local, por causas que ainda estão sendo investigadas.

O acidente deixou um saldo de pelo menos 15 mortos e 28 feridos, que recebem atendimento médico em diferentes hospitais de La Paz e El Alto, segundo informou a ministra da Saúde, Marcela Flores.

O Ministério da Defesa informou em comunicado que a aeronave, proveniente da cidade oriental de Santa Cruz, transportava “valores destinados ao Banco Central da Bolívia”.

De acordo com imagens divulgadas pela imprensa local e vídeos publicados nas redes sociais, muitas pessoas tentaram se aproximar do local para recolher as cédulas espalhadas após o acidente, o que levou os bombeiros a utilizar jatos de água para dispersá-las e, posteriormente, com a chegada da polícia, foi usado gás lacrimogêneo para afastar a multidão das proximidades da aeronave.

Os distúrbios continuaram à medida que mais pessoas chegavam ao local, e algumas chegaram a atacar policiais e bombeiros, dificultando o resgate e a busca por vítimas e feridos. O incidente levou ao envio de 600 militares e 160 policiais.

O procurador de La Paz, Luis Carlos Torres, confirmou à imprensa que 12 pessoas foram detidas por causa dos distúrbios.

Marcela Flores lamentou que a multidão tenha apedrejado ambulâncias que foram ao local prestar atendimento médico às vítimas. 

As agressões de “pessoas que tentavam se apropriar do dinheiro transportado” também atingiram jornalistas e profissionais da imprensa que cobriam o evento, denunciou a Associação Nacional de Jornalistas da Bolívia (ANPB) em comunicado, lamentando que uma equipe do canal estatal Bolivia TV “tenha sido alvo de agressões diretas”, colocando “em risco a integridade física de sua equipe técnica e jornalística”.

Jornalistas de outros veículos também “foram atacados com pedras, sofrendo ferimentos graves no exercício de sua função”, acrescentou o comunicado.

O BCB explicou em comunicado que o dinheiro transportado no avião era proveniente de Santa Cruz e composto por cédulas de 10, 20 e 50 bolivianos, como parte da décima entrega programada em um contrato assinado em 2025 com o banco central para substituir papel-moeda desgastado.

As autoridades econômicas explicaram que o processo de monetização — ou seja, a autorização para que as cédulas circulem legalmente — só é realizado após o material ser recebido e armazenado nos cofres do BCB, o que não ocorreu com essas cédulas. Por isso, elas não têm valor legal, e sua posse e utilização constituem crime.

O ministro da Defesa da Bolívia, Marcelo Salinas, também afirmou em coletiva de imprensa que o dinheiro transportado pelo avião “não tem valor legal”, pois não foi oficialmente emitido pelo BCB e não possui número de série, e que “tentar utilizá-lo é um crime”.

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