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Adolescentes criam “nudes” com IA e 59 menores viram vítimas nos EUA

As autoridades dos Estados Unidos revelaram que dois adolescentes de 14 anos criaram centenas de imagens de nudez manipuladas com inteligência artificial usando fotos de colegas. O caso, ocorrido entre 2023 e 2024 em uma escola privada de Lancaster, na Pensilvânia, resultou na suspensão dos jovens e na aplicação de trabalho comunitário. Até agora, foram identificadas 59 vítimas menores, embora o número real seja maior.

De acordo com informações divulgadas pela Associated Press, os adolescentes coletaram fotos de anuários escolares, redes sociais como Instagram e TikTok e outras plataformas. Em seguida, utilizaram ferramentas de IA para combinar essas imagens com fotografias de conteúdo sexual envolvendo adultos. Em tribunal, os dois admitiram ter produzido pelo menos 350 montagens desse tipo.

Mais de 100 pais e estudantes compareceram à audiência para ouvir os relatos das vítimas. Muitas descreveram o impacto emocional de ver suas imagens associadas a conteúdo pornográfico. Entre os depoimentos, surgiram expressões como “pedófilos, doentes, pervertidos”, dirigidas aos réus ao longo da sessão. Uma das jovens afirmou: “Nunca vou perceber por que razão é que fizeram isto […]. Destruíram a minha inocência.” Outra relatou que era “insuportável sentir tudo isto uma e outra vez”. Uma terceira vítima disse que um dos adolescentes demonstrou “falsa empatia”, já que chegou a ouvi-las falar sobre o sofrimento causado antes de ser identificado como um dos responsáveis. Outra testemunha contou que precisou de acompanhamento psicológico para conseguir se sentir segura ao sair de casa, mesmo que fosse apenas “para uma volta no seu bairro.”

As imagens foram descritas como “insuportáveis” e capazes de ter “destruído inocência”, segundo relatos apresentados no tribunal.

Os adolescentes não pediram desculpas durante a audiência. A sentença determinou 60 horas de serviço comunitário, proibição de contato com as vítimas e pagamento de indenização, cujo valor não foi divulgado. O juiz informou que o caso poderá ser arquivado no futuro, desde que os jovens não voltem a se envolver em incidentes semelhantes, mas destacou que, se fossem adultos, a conduta poderia resultar em prisão. Ele aconselhou os réus a “aproveitarem a oportunidade para examinarem” quem são.

O advogado Nadeem Bezar, que representa dez das vítimas, afirmou que o processo não deve terminar com essa decisão. Segundo ele, pretende avançar com ações “contra a escola e qualquer outra pessoa que seja considerada culpada pela criação e disseminação dessas imagens.” Bezar disse ainda que não teve acesso às fotografias, mas espera que a investigação determine “quando, onde e como é que a escola soube, como é que os rapazes criaram essas imagens, quais as plataformas que usaram para as criar e como é que elas foram disseminadas.”

Mia Ventura Shoshana, ex-coelhinha da Playboy, é acusada de seduzir vítimas por aplicativos de namoro para roubar objetos de valor; pena pode chegar a 11 anos; modelo está em liberdade sob fiança, monitorada por tornezeleira eletrônica

Folhapress | 04:30 – 26/03/2026

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