Mecânica
Redação do Site Inovação Tecnológica – 06/04/2026
A demonstração física foi construída utilizando pequenos motores elétricos combinados com componentes plásticos personalizados impressos em 3D e acrílico cortado a laser. E tudo se organiza sozinho.
[Imagem: University of Bristol]
Músculo artificial de motores elétricos
De modo muito diferente dos motores que podemos comprar nas lojas, os músculos biológicos funcionam por meio da atividade coordenada de milhares de motores moleculares chamados actomiosina, que os ajudam a se contrair. E, de modo também muito mais complexo do que os músculos artificiais já disponíveis, o processo bioquímico dos músculos biológicos permitem que eles apresentem comportamentos coletivos muito precisos.
Por exemplo, se a carga aumenta, os músculos humanos podem recrutar mais motores, acionando mais componentes quando é necessária força extra.
Mostrando que é difícil, mas não impossível, construir atuadores que imitem de perto os músculos vivos, Benjamin Warmington e colegas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, desenvolveram uma rede de motores mecânicos que imitam a maquinaria molecular responsável pela contração muscular humana.
Em vez de modelar diretamente as complexas interações moleculares, a equipe criou um sistema simplificado no qual os motores interagem apenas por meio de breves contatos mecânicos dentro de uma geometria cuidadosamente projetada.
Essa técnica de construção promete abrir novas possibilidades para músculos artificiais na robótica usando redes de motores mecânicos simples para replicar as principais características da actomiosina, a maquinaria biológica responsável pela contração muscular. Será tudo muito maior, mas a ação conjunta e coordenada passa a ser possível.

A coordenação semelhante à muscular pode surgir não apenas de processos bioquímicos, mas também da arquitetura física do sistema.
[Imagem: University of Bristol]
Auto-organização
O modelo experimental de demonstração do novo conceito foi construído usando pequenos motores elétricos montados em uma disposição que imita o arranjo das proteínas musculares reais, uma configuração semelhante à da actomiosina.
O aspecto mais surpreendente dessa montagem é que a rede de motores se auto-organizou em ondas de movimento coordenadas, mostrando uma capacidade de adaptação automática à medida que a carga mecânica aumentava, assim como os músculos humanos. Em outras palavras, esse sistema minimalista reproduziu os comportamentos coletivos observados na mecânica dos músculos reais.
“Os motores não estão ‘conversando’ diretamente uns com os outros. Cada um empurra uma estrutura de suporte compartilhada, o que altera o que os outros sentem. Com o tempo, esse feedback faz com que eles entrem em padrões coordenados por conta própria – um pouco como remadores sincronizando suas remadas ou a sincronização clássica vista em relógios de pêndulo,” explicou o professor Hermes Gadêlha.
Além de criar um novo meio de atuação para a robótica, essa demonstração indica que a coordenação muscular pode surgir não apenas de processos bioquímicos, mas também da arquitetura física, abrindo caminho para sua replicação em outros sistemas sintéticos, tanto na biologia quanto na engenharia.
Artigo: A discontinuously coupled network of phase oscillators replicates cooperation between motors in actomyosin systems
Autores: Benjamin Warmington, Jonathan Rossiter, Hermes Bloomfield-Gadêlha
Revista: Journal of the Royal Society Interface
DOI: 10.1098/rsif.2025.0438
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