Amostras ficaram conservadas entre dez minutos e sete dias a -150 °C antes do descongelamento. Depois de reaquecer o tecido em soluções quentes, os cientistas relataram membranas neuronais intactas, mitocôndrias sem sinais de dano metabólico e resposta a estímulos elétricos próxima ao normal em parte das amostras.
Resultado mais relevante foi a detecção de potenciação de longo prazo nas sinapses, um sinal de plasticidade ligado a aprendizado e memória. O autor principal, Alexander German, disse à IFLScience que “o fundamental não foi apenas que algumas células sobreviveram, mas que o tecido preservou suas características funcionais essenciais”.
Estudo aponta limites e deixa claro que não se trata de ‘reviver’ um cérebro inteiro. Apenas algumas amostras recuperaram atividade próxima ao normal, e os pesquisadores destacam que resfriar e reaquecer órgãos maiores de forma uniforme é um desafio diferente do que foi feito com cortes finos.
Para que isso pode servir
Achado pode ajudar a melhorar a conservação de órgãos para transplantes e a proteção do sistema nervoso após lesões graves. O trabalho também sugere que tecidos removidos em cirurgias, como em casos de epilepsia, poderiam ser preservados por mais tempo para estudo de doenças neurológicas e testes de medicamentos.
Pesquisadores citam inspiração em um mecanismo natural da salamandra siberiana, que sobrevive a frio extremo por décadas. O animal produz no fígado álcool glicérico, descrito como um ‘anticongelante biológico’ que ajuda a evitar danos celulares.













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