SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Donald Trump realizou na terça-feira (24) o tradicional discurso anual sobre o Estado da União e chamou atenção ao adotar o protocolo do “sobrevivente designado”, uma prática comum nos Estados Unidos desde a Guerra Fria.
O protocolo do sobrevivente designado é utilizado pelo governo dos Estados Unidos durante grandes eventos em que todos os principais líderes do país estão reunidos. O objetivo é garantir a continuidade da liderança nacional caso ocorra algum evento catastrófico durante a cerimônia.
Todos os anos, uma autoridade elegível para a Presidência é escolhida para não comparecer ao evento e permanecer em um local seguro e sigiloso até o fim da sessão. Caso um desastre atinja toda a linha sucessória presente no Capitólio, essa pessoa assume o comando do país.
Normalmente, o escolhido é um membro do Gabinete presidencial. O nome costuma ser divulgado apenas pouco antes do início do discurso. No evento mais recente, o sobrevivente designado foi o Secretário de Assuntos dos Veteranos, Doug Collins.
A escolha ocorre de forma estratégica e confidencial, por razões de segurança. Por isso, poucos detalhes são revelados sobre o processo de seleção.
Para ser designado, é necessário cumprir os requisitos constitucionais para a Presidência dos EUA: ser cidadão nato, ter ao menos 35 anos de idade e residir no país por 14 anos. Ainda assim, há registros históricos de exceções controversas, como no caso da ex-secretária de Estado Madeleine Albright, nascida na atual República Tcheca, e o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, nascido na Alemanha.
A prática remonta à Guerra Fria (1947-1991), período marcado pelo temor de ataques nucleares. O Ato de Sucessão Presidencial de 1947 estabeleceu a ordem de sucessão para garantir estabilidade institucional caso o presidente e seus sucessores imediatos fiquem impossibilitados de exercer o cargo.
Após a escolha, o sobrevivente designado é levado a um local seguro e distante do evento. Em alguns casos, a autoridade é deslocada para mais de 100 quilômetros do Capitólio. Em 2000, durante o governo Bill Clinton, um dos escolhidos permaneceu a cerca de 144 quilômetros de Washington.
Em 1996, Donna Shalala, então secretária de Saúde e Serviços Humanos, foi a escolhida. Ela permaneceu na Casa Branca e chegou a pedir pizza para sua equipe enquanto aguardava o fim do discurso. “Eu vi o presidente quando ele saiu e quando ele voltou”, disse à ABC News. “Ele disse: ‘Não faça nada que eu não faria.'”
Geralmente, os sobreviventes designados são membros do Gabinete. Doug Collins foi escolhido em 2025 e novamente em 2026. Em 2024, o nome indicado foi o então secretário de Educação, Miguel Cardona.
Na linha de sucessão presidencial, antes que o sobrevivente designado assuma, cinco autoridades estariam à frente: o vice-presidente, o presidente da Câmara dos Representantes, o presidente pro tempore do Senado, o secretário de Estado e o secretário do Tesouro.
PROTOCOLO VIROU TEMA DE SÉRIE
O cargo ganhou destaque na cultura pop com a série “Sobrevivente Designado”, da Netflix, estrelada por Kiefer Sutherland. A trama acompanha um integrante de menor escalão do gabinete que se torna presidente após um ataque terrorista matar todos os que estavam à frente na linha sucessória.
Ao contrário do que a produção sugere, porém, a chamada “maleta nuclear” que acompanha o presidente não é um botão de ataque imediato. Ela contém documentos, códigos e planos estratégicos para diferentes cenários, incluindo respostas militares e procedimentos de segurança.
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