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Democratas planejam boicote e protestos durante discurso de Trump ao Congresso

ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O discurso do Estado da União do presidente dos EUA, Donald Trump, deve ser marcado por protestos de democratas, que planejam ações que vão desde o uso de uma cor específica até a presença de pessoas afetadas pelo ICE, a polícia de imigração, e vítimas de Jeffrey Epstein, financista condenado por abuso sexual.

Entre as mulheres democratas, é esperado o retorno ao uso do branco -após muitas terem optado pelo rosa no ano passado- como já ocorreu em outros discursos de Trump. Teresa Leger Fernández, presidente do Caucus das Mulheres Democratas, afirmou que o branco remete às sufragistas, que vestiam a cor em protestos pelo direito ao voto.

A preocupação surge em meio às pressões do governo Trump para aprovar o Save America Act -projeto de lei que, segundo a Casa Branca, visa evitar que não cidadãos votem nos EUA. Para os democratas, há risco de que a legislação restrinja o direito de voto feminino, devido a uma combinação de barreiras burocráticas, financeiras e logísticas que afetariam desproporcionalmente o público feminino.

Entre os pontos criticados, as democratas destacam que mais de 70 milhões de mulheres nos EUA mudaram seus sobrenomes após o casamento, o que significa que seus nomes atuais não coincidem com os das certidões de nascimento. Elas temem que, caso a legislação seja aprovada, mulheres cujo nome atual não corresponda exatamente aos documentos de nascimento ou cidadania possam ser impedidas de se registrar para votar.

“As sufragistas vestiam branco enquanto protestavam, marchavam e faziam greve de fome pelo direito ao voto, que as mulheres finalmente conquistaram em 1920. Cento e seis anos depois, Trump e os republicanos querem tirar esse direito”, afirmou Fernández. “As mulheres não estão seguras na América de Trump, enquanto os custos continuam subindo, o acesso à saúde se torna cada vez mais limitado e a violência vira manchete diária.”

Outro grupo que deve marcar presença no evento são algumas das vítimas de Jeffrey Epstein. O Partido Democrata acusa Trump de não ter divulgado todos os documentos relacionados ao caso e de acobertar homens poderosos que teriam atuado ao lado de Epstein.
A deputada Emily Randall afirmou que a presença das vítimas tem como objetivo “lutar pela democracia, lutar por transparência e responsabilidade”. “Temos que garantir que a história de meninas e mulheres não será apagada. Estamos nos levantando não apenas por nós, mas por pessoas ao redor do mundo que vivem esse tipo de atrocidade.”

Outro desafio de Trump está relacionado à sua política anti-imigração, uma das principais promessas de sua campanha. Ações truculentas de agentes de imigração mataram dois cidadãos americanos em janeiro, gerando críticas até de membros do Partido Republicano.

A deputada Ilhan Omar deve comparecer ao evento acompanhada de pessoas que tiveram a vida afetada pela presença do ICE. Em discurso nesta terça, ela afirmou que a fala de Trump será “repleta de mentiras” e criticou a operação em Minnesota que mobilizou milhares de agentes de imigração para o estado.

“Americanos não conseguem pagar seguros de saúde ou empréstimos, estão afogados em financiamentos estudantis, e apenas metade dos arquivos do Epstein foram divulgados. A verdade é que nosso país respira por aparelhos, e os americanos estão pagando o preço”, completou.

Democratas também organizam um boicote ao evento: ao menos 20 congressistas afirmaram que não comparecerão ao discurso e planejam, simultaneamente, um protesto no National Mall. Os políticos justificam que não podem tratar a atual situação política como normal nem dar a Trump a audiência que ele busca.

“Eu não vou comparecer ao Estado da União. Nunca perdi um, mas não podemos tratar isso como normal. Não vou dar a ele a audiência que ele anseia para as mentiras que conta”, disse o senador democrata Adam Schiff.

A deputada Shontel Brown, de Ohio, também defendeu o boicote: “Não podemos tratar isso como um momento normal enquanto nossa democracia está sob ameaça. Não podemos continuar trabalhando normalmente sob um governo que acredita estar acima da lei.”

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