O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o Irã antes da segunda rodada de negociações sobre o programa nuclear de Teerã e alertou para as “consequências” caso não haja um acordo.
“Participarei dessas discussões, indiretamente, e elas serão muito importantes. Vamos ver o que pode acontecer. O Irã é um negociador difícil”, afirmou Trump na segunda-feira, durante conversa com jornalistas a bordo do avião presidencial, a caminho de Washington.
O republicano disse esperar que as tratativas avancem e declarou preferir um entendimento diplomático a uma ação militar. “Espero que sejam mais razoáveis. Querem fechar um acordo. Não creio que queiram assumir a responsabilidade pelas consequências de não se chegar a um acordo”, afirmou, mencionando a possibilidade de envio de bombardeiros B-2 para atingir instalações nucleares iranianas.
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, já está em Genebra, na Suíça, onde ocorrerá a reunião. A delegação americana é liderada por Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca, e por Jared Kushner, genro de Trump. O encontro será realizado na embaixada de Omã, com o ministro das Relações Exteriores do país, Badr bin Hamad al-Busaidi, atuando como intermediário.
Omã também sediou a primeira rodada de conversas indiretas entre Estados Unidos e Irã, em 6 de fevereiro. Negociações semelhantes já haviam ocorrido no ano passado, mas fracassaram após a escalada militar envolvendo Israel e Irã, que resultou em bombardeios contra instalações nucleares iranianas, inclusive com participação dos EUA.
Enquanto as conversas diplomáticas avançam, a tensão militar segue elevada. Trump determinou o envio de um porta-aviões adicional à região. Já o Irã anunciou um novo exercício naval, o segundo em poucas semanas, segundo a televisão estatal iraniana. A operação envolve a Guarda Revolucionária e ocorre em áreas estratégicas como o Estreito de Hormuz, o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã — rotas por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Autoridades iranianas informaram que o exercício testa capacidades de inteligência e operação em vias marítimas consideradas essenciais para o comércio internacional. Durante manobras anteriores, no fim de janeiro, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA emitiu um alerta formal a Teerã.
O governo Trump busca um novo acordo que limite o programa nuclear iraniano e impeça o desenvolvimento de armas atômicas. No domingo, o vice-chanceler iraniano, Majid Takht-Ravanchi, sinalizou que Teerã pode estar aberto a compromissos, desde que haja alívio nas sanções internacionais lideradas por Washington.












Deixe um comentário