ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – A ex-namorada e cúmplice de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por ajudar o criminoso sexual a abusar de adolescentes, recusou-se a responder perguntas de congressistas dos Estados Unidos nesta segunda-feira (9).
Maxwell evocou seu direito de permanecer em silêncio durante o depoimento, quando falou por vídeo da prisão no Texas em que cumpre sua sentença. Ela defende sua inocência e tenta reverter a condenação.
A defesa de Maxwell já havia dito a legisladores que não responderia a perguntas, mas congressistas, incluindo o republicano James Comer, presidente do Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara, insistiu que o depoimento fosse realizado.
Após a audiência, Comer afirmou que, inicialmente, ela havia pedido que o comitê de supervisão concedesse imunidade para que depusesse. “Quando nos reunimos com as sobreviventes de Epstein, ficou bem claro, segundo as sobreviventes que Maxwell era uma pessoa muito ruim e que cometeu muitos crimes.”
De acordo com Comer, na audiência, ela pediu imunidade ao presidente dos EUA, Donald Trump. “Não acho que ela deva receber qualquer tipo de imunidade ou clemência. Mas, obviamente, à medida que mais documentos forem lidos e compreendidos, vamos avaliar a partir daí”, afirmou o republicano.
Do lado democrata, congressistas criticaram o silêncio de Maxwell. A deputada Jasmine Crockett, do Texas, afirmou que ela e seus colegas de partido vão tentar trazer a cúmplice de Epstein de volta para, de fato, ajudar na investigação.
“Está muito claro que ela usou essa oportunidade não apenas para fazer campanha por clemência, como vem fazendo, mas também para enviar uma mensagem direta que espera que as pessoas presentes no depoimento transmitam ao presidente dos EUA: a de que o silêncio dela pode ser comprado por meio de clemência”, disse Crockett.
Os congressistas afirmaram que têm diversas perguntas para Maxwell que não foram respondidas, como quem eram as pessoas envolvidas em tráfico sexual e lavagem de dinheiro e se o presidente dos EUA, Donald Trump, estava envolvido no esquema.
“Vamos ser claros, Donald Trump não foi apenas citado, como foi citado mais de 38 mil vezes nos arquivos que foram divulgados há duas semanas”, disse a deputada Melanie Stansbury.
O comitê tem sido palco de disputas entre em torno do caso Epstein e depoimentos, em particular entre o presidente do colegiado e democratas. Na semana passada, o ex-presidente Bill Clinton e ex-secretária de Estado Hillary Clinton exigiram uma audiência pública para esclarecer a relação deles com Epstein -o democrata aparece com o criminoso sexual em fotos divulgadas pelo Departamento de Justiça sobre o caso.
Tanto ele quanto Hillary foram convocados para audiências no comitê, que investiga as conexões entre Epstein e figuras poderosas nos EUA, mas não compareceram.
Eles disseram que já tinham fornecido todas as informações que possuem sobre o caso ao Legislativo e classificaram a insistência em tê-los em audiência de algo político.
Na semana passada, eles haviam concordado em depor após o comitê ter aprovado duas resoluções que recomendavam que o plenário declarasse a dupla culpada por desacato criminal ao Congresso. O crime pode levar a multas de até US$ 100 mil (R$ 532 mil) ou a um ano de prisão.
PRÓXIMAS AUDIÊNCIAS DO CASO EPSTEIN
– 18/2: Lex Wexner, cliente de Epstein e ex-CEO da Victorias Secret
– 26/2: Hillary Clinton, ex-secretaria de Estado dos EUA
– 27/2: Bill Clinton, ex-presidente dos EUA
– 11/3: Richard Kahn, contador do Epstein
– 19/3: Darren Indike, advogado do Epstein













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