Khaby Lane vendeu sua empresa e autorizou o uso de sua imagem, voz e padrões comportamentais para a criação de um clone de IA capaz de produzir conteúdo, interagir com pessoas, participar de campanhas em diferentes idiomas, sem que ele precise estar presente – só em seu “espírito digital”.
É basicamente a materialização da possibilidade que discutimos há muito tempo sobre um futuro de automação criativa, em que atores, influenciadores e figuras públicas poderão vender seu direito de imagem para que produções sejam criadas por meio da IA.
A identidade pessoal se transforma em infraestrutura computacional, e isso, por consequência, altera a dinâmica da própria economia da influência que, hoje, se organiza em torno da atenção.
Na dinâmica atual, o influenciador é o ponto da escassez. Seu tempo, capacidade de engajar e presença definem o valor. Com clones de IA, essa lógica se inverte. A atenção continua sendo o ativo central de disputa, mas a escassez do corpo humano migra para um modelo computacional que replica seus traços cognitivos e expressivos em uma escala sem precedentes.
Quando padrões cognitivos e comportamentais se tornam treináveis e replicáveis, a subjetividade vira um ativo econômico. Não é mais apenas uma imagem que circula no ambiente digital, mas também o modo de agir, de se expressar e de produzir sentido. A ruptura acontece porque a influência deixa de ser exclusividade humana e passa a funcionar como um sistema.
A autenticidade, tão celebrada nas redes, embora saibamos que nem sempre seja autêntica, passa a competir com versões artificiais que não dormem, não cansam e não erram. A espontaneidade vira um comportamento sintetizado em um mundo em que o humano é traduzido em código.











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