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EUA fazem novo ataque no Pacífico e matam dois em barco suspeito

Os Estados Unidos realizaram nesta quinta-feira (5) mais um ataque no Oceano Pacífico contra uma embarcação suspeita de tráfico de drogas, matando duas pessoas, informou o Exército norte-americano. A ação ocorreu em águas próximas à costa da Colômbia, segundo o Comando Militar dos EUA para a América Latina e o Caribe.

O Comando Sul dos Estados Unidos divulgou um vídeo nas redes sociais que mostra a embarcação em movimento antes de ser atingida e explodir em chamas. Na nota oficial, o comando confirmou a morte de duas pessoas, classificadas como “narcoterroristas”.

De acordo com os militares, o barco navegava por rotas conhecidas do tráfico de drogas no Pacífico Oriental e estava diretamente envolvido em operações de transporte de entorpecentes.

O anúncio do ataque foi feito poucas horas depois de o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmar que “alguns dos principais traficantes ligados a cartéis” da região teriam decidido suspender indefinidamente suas atividades em razão dos recentes ataques “cinéticos e altamente eficazes” realizados no Caribe.

Na terça-feira, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, esteve em Washington para uma visita oficial, na qual se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após semanas de trocas públicas de críticas e ameaças entre os dois governos.

Com a ofensiva mais recente, ao menos 128 pessoas foram mortas e 37 embarcações destruídas desde setembro, quando teve início a chamada Operação Lança do Sul, campanha militar dos EUA voltada a barcos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Este foi o segundo ataque registrado em 2026, depois de uma ação semelhante em 23 de janeiro, também no Pacífico.

A administração Trump já realizou mais de 30 ataques desde o início da operação, mas nunca apresentou provas públicas de que as embarcações atingidas estivessem, de fato, ligadas ao tráfico. O presidente norte-americano afirma que os Estados Unidos vivem um “conflito armado” com cartéis na América Latina e defende os bombardeios como uma escalada necessária para conter o fluxo de drogas.

A legalidade da campanha tem sido alvo de intenso debate internacional e dentro dos próprios Estados Unidos. Especialistas e representantes da Organização das Nações Unidas classificaram as ações como execuções extrajudiciais e violações graves das leis dos conflitos armados.

Na semana passada, familiares de dois cidadãos de Trindade e Tobago mortos em um ataque contra uma embarcação em outubro processaram o governo federal dos EUA, descrevendo a ação como crime de guerra e parte de uma campanha militar “sem precedentes e manifestamente ilegal”.

Este é o primeiro processo judicial tornado público relacionado à ofensiva e pode colocar à prova a base jurídica utilizada por Washington para justificar os ataques. A campanha, iniciada no mar do Caribe, antecedeu a intervenção militar de 3 de janeiro, quando forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas e o transferiram para uma prisão federal em Nova York.

O encontro ocorreu num contexto de crise diplomática entre os países. Petro criticou o ataque americano contra a Venezuela, no início do ano, e Trump aumentou a tensão acusando o colombiano de também permitir o tráfico de drogas, assim como fez com Nicolás Maduro. Na véspera do encontro entre as autoridades, o republicano disse que a relação entre eles estava melhor.

Folhapress | 18:12 – 03/02/2026

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