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Trump consegue dividir TikTok e inaugura era do ‘nacionalismo algorítmico’

Após meses de idas e vindas, um consórcio de investidores foi formado para assumir a operação local, com muitos atores bem próximos ao presidente. A nova empresa tem controle majoritariamente americano e é dividida da seguinte forma, pelo que foi divulgado até o momento:

– 45% pertencem a um consórcio formado por Oracle, Silver Lake e MGX.
– 35% pertencem a outros investidores (incluindo Michael Dell).
– 19,9% permanecem com a ByteDance, a dona chinesa do Tiktok, ficando abaixo do limite de 20% imposto pela legislação dos EUA.

O ponto mais sensível sempre foi o algoritmo. O TikTok revolucionou o mundo digital ao romper com a lógica tradicional das redes sociais e criar o paradigma dos vídeos curtos. A proposta deixou de ser conectar pessoas com pessoas e passou a ser conectar pessoas com conteúdo. O resultado é que todas as outras plataformas correram atrás para copiar o modelo, mas o TikTok seguiu um passo à frente por causa do poder do seu algoritmo.

A China reconhece que esse é um ativo valioso, e uma lei do país proíbe a exportação definitiva de tecnologias de recomendação sem autorização estatal. É aqui que mora o ponto mais sensível de todo o debate.

O arranjo encontrado, então, não foi de venda, como muitos pensam, mas de um licenciamento. A ByteDance continua sendo a proprietária intelectual do sistema original, mas autoriza a nova empresa nos EUA a operar uma versão própria.

O acordo prevê que o algoritmo usado por lá esteja isolado do sistema global e seja treinado apenas com dados de usuários americanos. Tecnicamente, isso pode até mesmo impactar o desempenho da versão americana, uma vez que o modelo passa a não ter acesso aos dados de comportamento e tendências do restante do mundo.
Do lado da China, ela ainda mantém a inteligência que evolui o algoritmo não só para o seu país, como para o resto do mundo. Agora, o que os EUA têm é uma cópia que será desenvolvida de forma independente daqui para frente.
Esse arranjo mostra que a China cedeu na forma, mas preservou o núcleo estratégico do negócio. Depois de um jogo duro do governo chinês, o pragmatismo falou mais alto. Pequim percebeu que manter 19,9% de uma empresa estratégica e garantir acesso ao maior mercado publicitário do mundo é melhor do que perder tudo.



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