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Quem é Erfan Soltani, jovem que pode ser enforcado no Irã nesta quarta

Erfan Soltani tem 26 anos, trabalha no setor têxtil e pode se tornar o primeiro manifestante executado pelo regime iraniano desde o início da nova onda de protestos no país. Organizações internacionais de direitos humanos afirmam que ele corre risco iminente de ser enforcado já nesta quarta-feira, após ter sido detido durante manifestações contra o governo.

Erfan foi preso na noite de 8 de janeiro, nas proximidades de sua casa, no distrito de Fardis, na cidade de Karaj, região metropolitana de Teerã. Durante três dias, a família não recebeu qualquer informação sobre seu paradeiro. O contato só ocorreu no domingo seguinte, quando agentes de segurança confirmaram que o jovem estava sob custódia e já havia sido condenado à morte.

Segundo relatos reunidos por entidades independentes, Erfan não teve acesso a advogado, não foi formalmente acusado e não passou por julgamento. A condenação teria sido baseada na acusação de “moharebeh”, termo usado pelo regime para classificar opositores como “inimigos de Deus”, crime que pode levar à pena capital no Irã.

A família foi autorizada a um único encontro com o jovem, com duração de cerca de dez minutos. De acordo com fontes próximas, os agentes deixaram claro que se tratava de uma despedida final antes da execução da sentença. Parentes também teriam sido ameaçados para que não falassem com a imprensa nem denunciassem o caso publicamente.

Erfan Soltani trabalhava na indústria do vestuário e havia começado recentemente em uma empresa privada. Pessoas próximas relatam que ele tinha interesse por moda, praticava musculação e levava uma vida discreta. Seu perfil em redes sociais, ainda ativo, mostra um jovem comum, distante de qualquer histórico de militância armada ou envolvimento violento.

Organizações de direitos humanos alertam que o caso pode abrir caminho para uma escalada de execuções relacionadas aos protestos que tomam o país desde o fim de dezembro, motivados inicialmente pela inflação elevada e pelo colapso da moeda iraniana, o rial, e que rapidamente se transformaram em manifestações contra o regime.

Segundo essas entidades, o Irã vive um cenário de repressão comparável ao dos anos 1980, período marcado por execuções em massa de opositores políticos. O temor é de que Erfan seja apenas o primeiro de muitos manifestantes a enfrentar punições extremas sem o devido processo legal.

Grupos internacionais pedem pressão diplomática imediata e afirmam que a comunidade internacional tem a responsabilidade de agir para impedir execuções sumárias e proteger civis que protestam contra o governo iraniano.

Levantamento aponta que a maioria das vítimas era de manifestantes e inclui ao menos 12 crianças. Número de presos já supera 18 mil, em meio à repressão intensificada do regime e ao agravamento da crise econômica no país.

Notícias ao Minuto | 06:00 – 14/01/2026

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