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Clinton não comparece a audiência do caso Epstein no Congresso e pode ser acusado de desacato

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton não compareceu, nesta terça-feira (13), a uma audiência a portas fechadas no Capitólio, em Washington, sobre o caso Jeffrey Epstein, criminoso sexual morto em 2019 com ampla presença em círculos de poder.

O ex-mandatário democrata (1993-2001) e sua esposa, Hillary Clinton, foram convocados pelo Comitê de Supervisão do Congresso, que investiga as conexões entre Epstein e figuras poderosas nos EUA, e como foram tratadas as informações sobre seus crimes. Agora, ele está sujeito a acusações de desacato que poderiam resultar em acusações criminais.

O depoimento de Hillary Clinton, ex-chefe da diplomacia dos EUA derrotada por Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016, está previsto para quarta-feira (14), mas ela também já afirmou em uma carta assinada junto com seu marido, que não pretende comparecer.

No documento, endereçado ao deputado republicano James Comer, líder do poderoso comitê na Câmara dos Representantes, eles dizem já ter tentado fornecer as “poucas informações” que possuíam para auxiliar na investigação e acusaram Comer de desviar o foco das falhas do governo Trump, amigo de Epstein por quase 15 anos antes de uma desavença que precedeu a primeira prisão do financista, em 2006.

“Cada pessoa precisa decidir quando já viu ou teve o suficiente e está pronta para lutar por este país, seus princípios e seu povo, não importando as consequências”, escreveram os Clinton. “Para nós, esse momento chegou.”

“Não há explicação plausível para o que você está fazendo além de política partidária”, completaram, acrescentando que esperam que Comer instrua o comitê a considerá-los em desacato. “O senhor intimou oito pessoas além de nós. O senhor dispensou sete dessas oito sem que nenhuma delas dissesse uma única palavra ao senhor. Não fez qualquer tentativa de obrigá-las a comparecer. Na verdade, desde que iniciou sua investigação no ano passado, o senhor entrevistou um total de duas pessoas.”

“Ninguém está acusando Bill Clinton de nada reprovável, só temos perguntas”, afirmou Comer à imprensa.

O governo está sob pressão depois que o Departamento de Justiça divulgou, em dezembro, uma pequena parte dos arquivos do caso Epstein, um mês após o prazo legal ter expirado. Figura da alta sociedade nova-iorquina, o financista é acusado de ter explorado sexualmente mais de mil jovens, incluindo menores de idade.

Bill Clinton aparece em imagens dos arquivos liberados no final do ano passado -uma das fotos mostra o ex-presidente reclinado em uma banheira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto foi ocultado. Em muitas das cenas em que o democrata aparece, ele é a única pessoa cuja identidade pode ser discernida, e os arquivos fornecem pouco ou nenhum contexto para as imagens.

Na ocasião, Clinton disse que a Casa Branca tentou tirar proveito político da publicação, e seu porta-voz, Angel Ureña, pediu que o departamento liberasse imediatamente quaisquer materiais restantes dos arquivos relacionados a Epstein que façam referência ao ex-presidente de qualquer forma, incluindo fotografias.

“O que o Departamento de Justiça divulgou até agora e a maneira como o fez deixam uma coisa clara: alguém ou algo está sendo protegido. Não sabemos quem, o quê ou por quê, mas sabemos disso: não precisamos de tal proteção”, afirma o texto de Ureña. “Eles podem divulgar quantas fotos granuladas de mais de 20 anos atrás quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton. Nunca foi, nunca será”, escreveu. O democrata nunca foi formalmente acusado de ter cometido crimes com Epstein.

A morte de Epstein, encontrado morto em sua cela em Nova York em 2019 antes de seu julgamento por tráfico de menores para fins sexuais, alimentou inúmeras teorias da conspiração apoiadas por anos por aliados de Trump, segundo as quais ele teria sido assassinado para proteger personalidades de alto perfil.

Durante sua campanha de 2024, Trump havia prometido à sua base revelações contundentes sobre o financista. Mas, desde seu retorno ao poder, o republicano está relutante em publicar os documentos.

Parte do material liberado inclui emails de um procurador federal em Manhattan sobre a quantidade de vezes que Trump teria viajado no avião de Epstein. A mensagem, escrita em janeiro de 2020, dizia que Trump estava listado como passageiro no jato de Epstein pelo menos oito vezes de 1993 a 1996, incluindo alguns casos em que também havia mulheres jovens dentro do avião.

Leia Também: Justiça da França começa a julgar recurso de Le Pen para disputar Presidência em 2027

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