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Evo fracassa em driblar inelegibilidade e está fora das eleições na Bolívia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A novela da candidatura de Evo Morales à Presidência da Bolívia parece ter chegado ao fim nesta segunda-feira (19). Presidente do país sul-americano entre 2006 e 2019, o político queria voltar ao cargo nas próximas eleições, em agosto, mas fracassou ao tentar contornar uma proibição legal ao registro de sua chapa.

Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral local, apoiadores de Evo tentaram cadastrar Evo na corrida até a noite de segunda, mas o Pan-bol (Partido de Ação Nacional Boliviano), legenda que o ex-presidente escolheu recentemente para concorrer ao pleito, não tem reconhecimento jurídico, afirmou um funcionário da corte.

 

A disputa se arrasta há meses. Evo anunciou sua pretensão de voltar ao Palácio Quemado em setembro de 2023, logo após desentendimentos com seu herdeiro político e atual presidente, Luis Arce, chegarem a um ponto de ruptura. Na ocasião, o ex-líder disse ter sido obrigado a concorrer ao posto devido a ataques do atual governo que, nas suas palavras, atentariam contra sua vida.

Nos anos seguintes, Evo perderia a briga com o antigo aliado pelo controle do MAS (Movimento ao Socialismo). Sem o partido de esquerda que domina a política boliviana desde o início dos anos 2000, o ex-presidente recorreu à Frente para a Vitória, no início do ano, e, finalmente, ao Pan-bol, quando a primeira aliança se rompeu.

No entanto, a corte eleitoral da Bolívia anulou a pessoa jurídica de ambos os partidos sob a justificativa de que eles não alcançaram 3% dos votos nas últimas eleições presidenciais, em 2020.

Os impedimentos legais das siglas, porém, eram apenas um detalhe diante de outras questões envolvendo a candidatura. Na semana passada, por exemplo, o Tribunal Constitucional decidiu que o ex-presidente não pode ser candidato a um quarto mandato -a Carta Magna da Bolívia diz que pode haver apenas uma reeleição para o cargo, algo que o político já conseguiu driblar ao ser reconduzido pela terceira vez em 2014.

Em 2019, aliás, ele buscou um quarto mandato e chegou a ficar em primeiro lugar nas eleições presidenciais, mas o resultado não foi reconhecido pela oposição e ele acabou se exilando no México. Quem assumiu o poder interinamente à época foi Jeanine Añez, que dois anos mais tarde foi detida e condenada a dez anos de prisão sob a acusação de organizar um golpe de Estado contra o ex-líder.

Há sete meses, Evo está abrigado na região de Chapare, na região central da Bolívia, depois que um tribunal ordenou, em janeiro, a sua prisão devido a um caso no qual é acusado de estuprar e traficar uma adolescente.

O escândalo veio à tona em outubro de 2024, quando o governo de Arce confirmou a existência da investigação contra o ex-presidente. Segundo a acusação, Evo teria estuprado uma adolescente de 15 anos em 2015 com o consentimento dos pais, que teriam colhido benefícios do governo -ele era presidente na época.

Segundo o Ministério Público, a adolescente teria tido uma filha em decorrência do estupro. De acordo com a investigação, os pais da vítima a inscreveram na “guarda juvenil” de Evo “com o único objetivo de ascender politicamente e obter benefícios em troca de sua filha menor”. O ex-presidente nega as acusações.

Evo não fez nenhum comentário sobre o impedimento mais recente à sua candidatura, mas seus seguidores anunciaram protestos a partir desta terça.

Até segunda, o tribunal eleitoral boliviano havia registrado dez partidos e grupos políticos. A corte ainda vai analisar a candidatura do presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, pela frente Aliança Popular, até que a Justiça decida se ele cumpriu as normas partidárias.

Líder cocaleiro, Rodríguez era considerado herdeiro político de Morales, liderando várias pesquisas de intenção de voto. Já o MAS vai lançar o ex-ministro de Governo Eduardo del Castillo após Arce decidir não disputar a reeleição.

Os opositores mais fortes para enfrentar o bloco de esquerda são o empresário social-democrata Samuel Doria Medina e o ex-presidente de direita Jorge Quiroga. O grupo de candidatos conta ainda com outros ex-militantes do MAS e aspirantes de centro e direita de menor peso eleitoral.

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