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Homem morre de desnutrição em Gaza e total de vítimas chega a 67

As autoridades de saúde da Faixa de Gaza confirmaram nesta terça-feira (1º) a morte de um homem de 29 anos por desnutrição, elevando para 67 o número oficial de vítimas fatais causadas pela fome extrema no território. A escassez de alimentos é consequência direta do bloqueio imposto por Israel à entrada de ajuda humanitária.

De acordo com o diretor da unidade responsável pela contagem de vítimas em Gaza, Zaher al-Waheidi, o homem chegou sem vida ao hospital e foi registrado diretamente como falecido. Embora a causa exata da morte não tenha sido especificada no registro, imagens divulgadas por veículos de imprensa palestinos mostram o corpo visivelmente esquelético, vestindo apenas uma fralda.

A maioria dos mortos por desnutrição até agora são crianças. “Não são apenas os pequenos que estão morrendo de fome. Todos os grupos vulneráveis, que precisam de cuidados médicos e alimentação adequada, estão em risco de morte sob o cerco atual”, escreveu Munir al Bursh, diretor de saúde de Gaza, em sua página nas redes sociais.

Segundo o UNICEF, desde o início de 2024, cerca de 112 crianças têm sido hospitalizadas por mês com desnutrição aguda em Gaza. Ao todo, mais de 18 mil crianças menores de cinco anos já foram internadas este ano — 2.500 em estado grave. “Cada um desses casos é evitável”, alertou o diretor regional da organização, Edouard Beigbeder, em comunicado recente. “Israel precisa permitir urgentemente a entrada massiva de ajuda humanitária por todas as passagens.”

O bloqueio total à entrada de alimentos, medicamentos e combustível durou de 2 de março a 19 de maio, agravando uma crise humanitária que já era severa desde o início da guerra, em outubro de 2023. Mesmo antes disso, a entrada de caminhões com ajuda era limitada. Em novembro de 2024, por exemplo, apenas 65 caminhões por dia conseguiam entrar — número muito abaixo dos 500 diários registrados antes do conflito.

Apesar de Israel ter voltado a autorizar parcialmente a entrada de caminhões a partir de 19 de maio, a distribuição de mantimentos continua caótica. A responsabilidade pela entrega no centro e sul de Gaza está nas mãos da Fundação Humanitária para Gaza (GHF), apoiada por Israel e pelos Estados Unidos. Em torno de seus pontos de distribuição, há relatos de que o exército israelense matou cerca de 600 pessoas que tentavam buscar comida.

Leia Também: Israel admite que matou civis em busca de ajuda em Gaza, mas diz que Hamas exagera nos números

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No norte da Faixa de Gaza, a situação é ainda mais crítica. Muitos caminhões da ONU são interceptados por moradores famintos ou saqueados, em meio ao desespero generalizado. Israel alega que o Hamas tem se apropriado da ajuda, mas agências humanitárias apontam que a escassez de acesso e a falta de segurança na distribuição agravam a tragédia.

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